Alguns suspeitos do caso Freeport foram constituídos arguidos, de acordo com uma fonte próxima do processo, citada pela SIC Notícias. A estação de televisão não avançou nomes. Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, que foi esta tarde ouvido no Tribunal de Cascais, garantiu à saída que não é arguido e que foi interrogado enquanto testemunha.
Um dos advogados de Júlio Monteiro, Sá Leão, disse não haver "dados novos", mostrando-se convicto de que, em relação ao seu cliente, "o caso fica por aqui". Sá Leão adiantou ainda que Júlio Monteiro foi ouvido pelos dois procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), encarregados do caso, Vítor Magalhães e Pais Faria, e por quatro inspectores da PJ.
Ao longo dos últimos dias o Ministério Público ouviu também Charles Smith e Manuel Pedro, sócios da consultora Smith & Pedro, no âmbito das investigações no caso Freeport. Apesar disso, até ao momento, nem a Procuradoria-Geral da República nem o primeiro-ministro se pronunciaram sobre a notícia.
Sabe-se também que as autoridades estão a ter dificuldades em notificar Hugo Monteiro, primo do primeiro-ministro, uma vez que este se encontra no Nepal a frequentar um curso de artes marciais.
Uma fonte da Procuradoria-Geral da República já tinha anunciado hoje que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) estava a fazer inquirições, a analisar documentos e fluxos financeiros no âmbito do caso Freeport. A mesma fonte referiu que, “quando for oportuno e necessário, o Procurador-Geral da República emitirá um comunicado” sobre o assunto.
Suspeitas de corrupção
O caso relativo ao espaço comercial Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, quando era ministro do Ambiente José Sócrates, bem como com o processo de licenciamento. Em Setembro passado, o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).
A 10 e 17 de Janeiro, o Ministério Público (MP) emitiu comunicados onde esclarecia que, até àquele momento, não havia indícios do envolvimento de qualquer ministro português, do actual Governo ou de anteriores, em eventuais crimes de corrupção relacionados com o caso.
Notícia actualizada às 18h54


