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Acusação desmonta álibis a negar presenças na casa de Elvas

Casa Pia: Ministério Público reforça consistência de depoimentos de vítimas

10.12.2008 - 15:59 Por Lusa

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O procurador João Aibéo frisou que "falta espontaneidade" aos álibis invocados pelos arguidos O procurador João Aibéo frisou que "falta espontaneidade" aos álibis invocados pelos arguidos (Miguel Madeira)
O Ministério Público tentou hoje reforçar a credibilidade dos depoimentos das vítimas do processo Casa Pia, que alegaram ter sido abusadas numa casa em Elvas, e simultaneamente desmontar os álibis dos vários arguidos que negam ter estado na habitação propriedade de Gertrudes Nunes, que se senta no banco dos réus ao lado de outros seis arguidos.

No quinto dia de alegações finais do Ministério Público, o procurador João Aibéo citou a juíza da fase de instrução do processo para frisar que "falta espontaneidade" aos álibis invocados pelos arguidos, à excepção de Carlos Silvino, antigo motorista da Casa Pia, para provarem que não estiveram em Elvas nos dias dos alegados abusos. Para tal, os arguidos recorreram a recibos bancários, registo de utilização de cartões, telemóveis e comprovativos de passagem na Via Verde.

Em relação a Carlos Cruz, o procurador afirmou que o antigo apresentador de televisão guiava depressa e "ir e vir a Elvas podia ser uma coisa rapidíssima" para o arguido, dando como exemplo uma viagem entre Carcavelos e o Algarve que este fez "em duas horas".

Quanto ao médico Ferreira Diniz e aos seus álibis, a acujsação sustentou que os programas que este disse ter gravado na Rádio Renascença, em Lisboa, podiam ter sido enviados "por telefone" em datas que as vítimas apontaram como dias em que foram abusados, podendo assim ter estado em Elvas.

Às provas apresentadas pela defesa de Hugo Marçal, João Aibéo desvalorizou os recibos de depósitos bancários apresentados, lembrando que a ex-mulher do advogado admitiu em tribunal que "falsificava a assinatura" do marido.

A acusação sublinhou que o facto de não aparecer registo de contactos entre os arguidos através dos seus telemóveis habituais não significa que não tenham falado, porque podiam "comprar cartões pré-pagos, sem o nome do titular" para comunicarem entre si e combinar eventuais encontros em Elvas.

Casa de Elvas descrita por vítimas

Durante a sessão da manhã, o procurador insistiu em credibilizar os testemunhos dos jovens e as descrições que fizeram da casa de Elvas, apesar de algumas inconsistências entre o que relataram e a arquitectura da casa, destacando mesmo que foi "modificada substancialmente" em data não apurada, sem licenciamento camarário e à revelia do projecto.

João Aibéo referiu um "croquis" da casa de Elvas feito por um dos jovens, afirmando que "representa inequivocamente" aquele local e que foi feito antes mesmo de a Polícia Judiciária ter feito buscas no imóvel e a planta ter sido junta ao processo.

Face ao registo vídeo do reconhecimento feito pelas vítimas no local, o procurador sustentou que "só não vê quem não quer"

que os jovens conheciam a casa e identificaram imediatamente as salas onde dizem ter sido abusados por Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Hugo Marçal, o ex-provedor-adjunto Manuel Abrantes e o embaixador Jorge Ritto, entre outras figuras, algumas já ilibadas deste processo.

Segundo João Aibéo, uma das estratégias das defesas dos arguidos foi procurar criar a ideia de que o sítio onde ocorreram abusos em Elvas seria outro e os abusadores também seriam outros, tendo rejeitado liminarmente esta tese.

"Quem levava os miúdos era o senhor Carlos Silvino", disse, referindo-se ao ex-motorista da Casa Pia, que confirma ter estado em Elvas, embora durante o julgamento tenha sido "contraditório", alegando que apenas dava boleia aos jovens.

Aibéo estranhou a "passividade" e criticou a atitude de Manuel Abrantes, que foi instrutor de vários processos disciplinares internos da Casa Pia relacionados com abusos de Silvino a alunos, e que depois veio dizer que desconhecia os comportamentos do ex-motorista.

"Não se traz aqui uma única palavra de indignação. Manuel Abrantes tem medo de Carlos Silvino, sabe que ele sabe mais sobre ele do que aqui revelou", disse.

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Portugueses

Nós estamos a torcer para que o Senhor João Aibéo, a exemplo do Senhor Rui Teixeira, faça com que a ...

Hangman

11.12.2008 11:56

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