Casa Pia: Ministério Público já deu como provados mais de 130 crimes contra Carlos Silvino

09.12.2008 - 14:43 Por Lusa
O Ministério Público elevou hoje para mais de 130 os crimes de natureza sexual dados como provados em relação a Carlos Silvino, o antigo motorista da Casa Pia e principal arguido do processo. Durante esta manhã, continuou no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, a apresentação das alegações finais da acusação, que considerou ainda como provados mais três crimes de abuso sexual cometidos pelo médico Ferreira Diniz.
Na sessão da manhã, Carlos Silvino respondeu a perguntas do advogado do ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes admitindo que, numa altura em que estava "sob grande pressão por estar detido", inventou que uma das principais testemunhas e vítima neste processo "andava a ser pago para acusar Abrantes e os outros arguidos". "Foi da minha cabeça que isso saiu", disse o ex-motorista da Casa Pia, quando questionado por Paulo Sá e Cunha.
Em representação do Ministério Público, o procurador João Aibéo descreveu exaustivamente os crimes dados como provados e não provados relativamente a Carlos Silvino, entre os quais os denunciados pelo jovem casapiano que deu origem a este processo e que levou à detenção inicial do ex-motorista.
João Aibéo frisou que, por se tratar da denúncia que levou ao processo disciplinar e consequente aposentação de Carlos Silvino da Casa Pia, este negou sempre os abusos em relação a este jovem.
Em várias situações relacionadas com os crimes que constam da pronúncia, o procurador pediu alterações não substanciais relativamente a locais e datas em que terão ocorrido os abusos. Aproveitou ainda para desvalorizar algumas contradições e imprecisões no depoimento prestado em julgamento pelos jovens, reiterando a convicção de que, no essencial, todas as acusações que fizeram são verídicas e falam a verdade.
Durante a manhã, um dos crimes dados como provados em relação a Carlos Silvino foi de lenocínio (incentivo ou fomento à prostituição) relativo a uma situação em que terá levado um jovem ao Teatro Vasco Santana, em Lisboa, para alegadamente ter relações sexuais com o apresentador de televisão Carlos Cruz.
Quanto a Ferreira Diniz, outro dos sete arguidos neste processo, João Aibéo reconheceu que em relação a quatro crimes que lhe são imputados, o Ministério Público, "por lapso, e preocupado em balizar as situações e identificar os locais, acabou por não fazer a descrição dos abusos". "Assim, só com uma produção suplementar de prova e audição do jovem" seria possível incriminar o arguido por estes crimes, referiu.
O advogado que representa as vítimas, Miguel Matias, afirmou aos jornalistas à saída do Tribunal de Monsanto que o jovem "está disponível para comparecer novamente em tribunal", cabendo a decisão de o ouvir ou não ao colectivo de juízes.
Além de Carlos Silvino, Carlos Cruz, Ferreira Diniz e Manuel Abrantes, sentam-se ainda no banco dos réus há quatro anos o embaixador Jorge Ritto, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais de crianças ao cuidado da Casa Pia.

