Manuel Abrantes, antigo provedor adjunto da Casa Pia, anunciou hoje que desistiu do recurso que tinha em tribunal contra a decisão da instituição de o aposentar compulsivamente após um processo disciplinar.
Após o escândalo de pedofilia ter sido denunciado, Manuel Abrantes, que chegou a ocupar o cargo de provedor, em substituição de Luís Rebelo, foi acusado de abusos sexuais por alunos e sujeito a um processo disciplinar interno que terminou com a sua reforma compulsiva.
Inconformado com esta decisão, Manuel Abrantes decidiu recorrer para o Tribunal Administrativo, apesar de o processo interno estar suspenso enquanto não houver uma decisão do processo criminal que está a decorrer no Tribunal do Monsanto, no qual é acusado de abuso sexual de menores.
Hoje, à saída de mais uma sessão do julgamento do processo Casa Pia, o antigo provedor anunciou que desistiu do litígio que mantinha com a instituição. "Quero-me despedir de todos os funcionários da Casa Pia. Não haverá mais recurso, não haverá mais providência cautelar. Ontem, entrou no respectivo tribunal a minha renúncia de tudo", comunicou aos jornalistas.
O ex-provedor disse que tomou a decisão na passada segunda-feira, após uma conversa a família e os advogados, por considerar que já não é desejado na instituição e por ter concluído que existem pessoas da Casa Pia que agiram contra si, numa referência à actual provedora Catalina Pestana e a sua secretária Olga Miralto.
"As palavras que aqui ouvi, aquilo que li, levaram-me exactamente a reflectir que não tenho mais lugar na Casa Pia”, afirmou.


