Casa Pia: defesa de Hugo Marçal pede absolvição e alega falta de dados que apoiem acusação

22.01.2009 - 19:24 Por Lusa
A defesa de Hugo Marçal no julgamento Casa Pia pediu hoje a sua absolvição. Segundo a advogada não há nenhum facto ou dado objectivo que apoia o testemunho dos jovens para além das declarações de Carlos Silvino e a verdade por detrás das motivações destes jovens está encerrada nas declarações prezadas durante a fase de inquérito.
"Mais verdade podia ter sido trazida a esta sala se houvesse acesso a toda a documentação da fase de inquérito", declarou a advogada Sónia Cristóvão no Tribunal de Monsanto, acrescentando, em declarações aos jornalistas à saída, que as motivações "estarão na cabeça dos assistentes e de quem os credibilizou".
A leitura das declarações dos jovens na fase de inquérito foi barrada a pedido do Ministério Público e do advogado que os representa e à Casa Pia.
A advogada apontou a falta de fio condutor e pormenores surrealistas nas declarações dos jovens que defendem ter sido abusados por Hugo Marçal e pelos outros arguidos neste processo. E referiu "os testemunhos da defesa, que não estavam ensaiados nem concertados".
"Para a acusação, só uma prova existe (os testemunhos dos jovens), mas nenhum facto ou dado objectivo a apoia, não há um documento ou um testemunho para além do de Carlos Silvino", o ex-motorista da Casa Pia e principal arguido do processo, que confessou ter abusado dos jovens e implicou os outros arguidos numa suposta rede pedófila que se serviria de alunos da instituição para abusos sexuais.
Em relação à casa de Elvas (onde Marçal reside) para onde os arguidos alegadamente levariam os jovens para serem abusados, Sónia Cristóvão considerou em que não há provas que sustentem que é aquele o sítio onde ocorreriam abusos.
Por que razão os jovens apontaram aquela residência é "um mistério que ficará até que a história confirme que há explicação para isto", disse Hugo Marçal aos jornalistas, também à saída do tribunal. Elogiando as alegações da sua representante, o também advogado afirmou sentir uma "tranquilidade muito grande por o pesadelo estar a acabar".
Durante as alegações, a defesa de Marçal insistiu em pontos como as particularidades físicas do arguido, afirmando que seriam evidentes para os jovens caso tivessem sido, como alegam, abusados por ele.
Na próxima segunda-feira, a defesa de Gertrudes Nunes, proprietária da casa de Elvas, faz as suas alegações finais. O tribunal agendará depois a réplica do Ministério Público (MP) às alegações finais das defesas dos arguidos e contra-réplicas que se lhe sigam, reservando desde já seis horas para o MP e duas horas para cada uma das defesas que queiram replicar.

