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Acusação resulta de “fantasia desenfreada”

Casa Pia: defesa de Gertrudes Nunes diz que absolvição será “o mais próximo da justiça”

26.01.2009 - 13:25 Por Lusa

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Gertrudes Nunes está acusada de fomento da prostituição com fins lucrativos Gertrudes Nunes está acusada de fomento da prostituição com fins lucrativos (Pedro Vilela (arquivo))
A defesa de Gertrudes Nunes, arguida no processo de pedofilia na Casa Pia, pediu hoje a sua absolvição porque seria “a coisa mais próxima da justiça”, argumentando que nunca devia sequer ter vindo a julgamento.

Nas suas alegações finais, o advogado Manuel Silva afirmou que as acusações de jovens casa-pianos, segundo as quais foram vítimas de abusos sexuais na casa de Elvas de que Gertrudes Nunes é proprietária, são fruto de uma “fantasia desenfreada”.

“A coisa mais próxima da justiça será absolver a dona Gertrudes. A justiça seria nem sequer ter submetido esta mulher a este julgamento”, disse o advogado.

Gertrudes Nunes está acusada de crimes de lenocínio, ou seja, fomento da prostituição com fins lucrativos. Manuel Silva frisou que no despacho de pronúncia nunca é referida a prostituição, pelo que a sua cliente nunca poderia ser acusada de lenocínio.

Manuel Silva apontou diversas “fracturas” nos depoimentos dos jovens casa-pianos em relação ao papel de Gertrudes Nunes na suposta rede pedófila que se servia da sua casa para abusar de menores, desde o facto de não coincidirem na descrição do interior da casa de Elvas às discrepâncias na identificação da própria Gertrudes Nunes.

Reconhecimentos da casa “frustrados”

O advogado salientou ainda o facto de “Elvas ter 16 mil habitantes” e “não haver uma única pessoa que tenha visto ou ouvido falar de alguma coisa que se passasse naquela casa”.

Citando uma página da acusação que refere que Hugo Marçal, também arguido no processo, pagaria a Gertrudes Nunes para que saísse de sua casa com toda a família durante os fins-de-semana para que a residência fosse utilizada para abusos sexuais, Manuel da Silva afirmou parecer “uma página de um romance”.

Relativamente aos reconhecimentos feitos na casa de Elvas pelos jovens, Manuel da Silva considerou-os “frustrados”, por os casa-pianos terem referido que “estava tudo mudado” no interior em relação ao que supostamente conheciam.

“Não há nenhuma dúvida de que [os jovens] nunca estiveram naquela casa”, disse, acrescentando que “a única prova que se tentou fazer de que isto aconteceu naquela casa é o depoimento deles”.

Emprego perdido

O advogado desvalorizou o argumento do Ministério Público de que teria havido obras para alterar a disposição da casa, citando o construtor que, ouvido em audiência de julgamento, afirmou que as únicas alterações à planta original foram feitas aquando da construção, em 1982.

Referiu ainda que a tese de que a casa de Gertudes Nunes teria sido palco de abusos “é uma fantasia total que cai por terra quando confrontada com a realidade”.

Frisando que “o mundo da dona Gertrudes Nunes não tem nada a ver com o dos outros arguidos” que alegadamente abusaram dos jovens casa-pianos, afirmou que, “durante quatro anos e meio, foi uma mulher amordaçada”, que perdeu o emprego de ama da Segurança Social e “ouviu discutir factos em que não esteve envolvida e problemas jurídicos cujo significado desconhece”.

Além de Gertrudes Nunes e do advogado Hugo Marçal, são arguidos no processo o ex-motorista da Casa Pia Carlos Silvino, o apresentador televisivo Carlos Cruz, o médico João Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto e o ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes.

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Comentário + votado

ii

Os arguidos são todos inocentes, as vítimas violaram-se a elas próprias.

jj

26.01.2009 15:20

X

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