Casa Pia: defesa de Carlos Silvino critica forma como decorreu julgamento 
16.12.2008 - 15:45 Por Lusa
O advogado de Carlos Silvino fez duras críticas à forma como foi conduzido o julgamento do processo Casa Pia, alegando que, durante quatro anos, o tribunal andou a “juntar papéis”.
“A verdade foi de férias neste julgamento”, afirmou José Maria Martins, defensor do ex-motorista da Casa Pia de Lisboa, acusado pelo Ministério Público por mais de 150 crimes de abusos sexuais contra alunos da instituição.
O advogado considera que o processo jurídico “já está morto”, com “tanto recurso e tanto incidente” processual, e vai ficar para a história “como a maior vergonha na sociedade portuguesa”.
Centrando as suas alegações finais na figura de Carlos Cruz, a defesa de Silvino acusou o antigo apresentador de ter conseguido que “processo durasse quatro anos em julgamento” e de coordenar a defesa dos outros arguidos, “alterando e subvertendo a prova”. A título de exemplo, lembrou as obras realizadas nas casas onde terão decorrido os abusos sexuais, em Elvas e Lisboa.
“Como é que meia dúzia de pessoas subverteram completamente as instituições?”, questionou, referindo-se aos outros seis arguidos do processo e, depois de denunciar ligações entre Carlos Cruz e ao PS, disse estar admirado como um “mero apresentador de televisão tem tanto poder neste país”.
A defesa de Carlos Silvino desvalorizou ainda os documentos apresentados pela defesa do antigo apresentador para negar ter estado onde alegadamente decorreram os abusos e disse não haver “motivo algum para não acreditar nos jovens”, cujas declarações classificou de “genuínas” e “cristalinas”.
Noutra fase das alegações, referindo-se aos crimes de Silvino, disse que o seu cliente é ele próprio uma vítima da violência sexual na Casa Pia, que o “moldou”. Nas palavras de Martins, o “grande responsável disto tudo foi a Casa Pia, que era mãe e pai ao mesmo tempo” e devia “estar sentada no banco dos réus” e ser “responsabilizada solidariamente” pelos actos praticados por Carlos Silvino.
O julgamento do processo Casa Pia, que se encontra na fase de alegações finais, têm como arguidos, além de Silvino e Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, proprietária de uma casa em Elvas onde terão sido violados alunos da instituição.
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