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Alegadas vítimas de abusos sexuais começam a ser ouvidas segunda-feira

Casa Pia: Catalina Pestana termina depoimento alertando para fragilidade das vítimas

28.04.2005 - 20:56 Por Lusa

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 (Hugo Martins/Lusa)
A provedora da Casa Pia de Lisboa, Catalina Pestana, terminou hoje o seu depoimento alertando o tribunal para a fragilidade das vítimas/testemunhas que vão ser ouvidas, jovens marcados por "situações de violência traumática".

Com o final do depoimento de Catalina Pestana, ao longo de 16 sessões, durante quase um mês e meio, o julgamento da Casa Pia, iniciado a 25 de Novembro passado e que senta no banco dos réus sete arguidos, vai entrar segunda-feira numa nova fase, com a audição das cerca de 30 alegadas vítimas de abusos sexuais/testemunhas no processo.

Hoje, na 47ª sessão do julgamento que decorre no antigo Tribunal Militar de Santa Clara, a provedora da Casa Pia fez um retrato negro sobre o perfil familiar e psicológico da maioria destes alunos que lhe denunciaram situações de abusos sexuais, afirmando mesmo que alguns são "jovens que, em termos psicológicos e emocionais, dificilmente poderão tomar sozinhos conta da vida".

Catalina Pestana referiu-se, um a um, aos cerca de 16 jovens para quem foram pedidas indemnizações, explicando as suas actuais situações profissionais, familiares e psicológicas e insistiu na vulnerabilidade das vítimas.

O retrato do passado destes jovens incluiu situações de abandono familiar, maus-tratos no seio da família e problemas de desenvolvimento cognitivo, que, associados a alegadas situações de abusos, dentro e fora da instituição Casa Pia, os fragilizaram e tornaram emocionalmente instáveis, com problemas que, na opinião da provedora, os irão afectar para o resto da vida.

Ao terminar o seu depoimento, Catalina Pestana pediu, de forma emocionada, para que as partes em tribunal tenham em conta a fragilidade dos jovens que começam a depor segunda-feira, à porta fechada. "A partir de agora não está aqui uma mulher de 57 anos, normal, inteligente e culta. Estão crianças, adolescentes e jovens que não tiveram aquilo tudo que todos nós já tivemos", disse.

Na sessão da manhã, a juíza presidente do colectivo, Ana Peres, suspendeu as perguntas do advogado Adelino Granja à provedora, até esclarecer a relação profissional do causídico com o jovem que representa, após este ter manifestado posições contraditórias quanto à vontade de ser representado pelo advogado casapiano.

Após esta situação estar resolvida, a juíza marcará nova ida de Catalina Pestana a tribunal, para terminar a instância de Adelino Granja e responder a alguns pedidos de esclarecimento dos advogados dos arguidos Jorge Ritto e Ferreira Diniz.

O julgamento do processo Casa Pia prossegue na próxima segunda-feira, não sendo permitida a presença de jornalistas na sala e devendo mesmo os arguidos estar ausentes, colocados numa sala ao lado da de audiência.

O julgamento do processo Casa Pia de Lisboa tem sete arguidos: o ex-motorista casapiano Carlos Silvino da Silva, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o diplomata Jorge Ritto, o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, o médico João Ferreira Diniz, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, a dona de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais de menores da Casa Pia.

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