O ex-motorista da Casa Pia Carlos Silvino, principal arguido no processo Casa Pia, volta amanhã a depor em tribunal, numa altura em que o julgamento se aproxima das alegações finais da acusação e da defesa.
Carlos Silvino, 50 anos, responde em tribunal por mais de 600 acusações de abuso sexual de menores. Em declarações prestadas em 2005, o arguido confessou ter abusado de 22 dos 28 jovens casapianos mencionados no despacho de pronúncia.
Em 2005, Carlos Silvino afirmou-se arrependido dos crimes que lhe são imputados e implicou os outros arguidos, declarando ter conduzido jovens casapianos a encontros sexuais com os arguidos.
O principal arguido do processo de pedofilia volta a falar em tribunal depois de, nos últimos seis meses, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz e o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes terem voltado a prestar declarações em julgamento.
O grosso das intervenções dos outros arguidos foi no sentido de desmentir as acusações de Silvino, que os implicou em várias datas em que alegadamente ocorreram abusos sexuais.
Os números do julgamento
O início das alegações finais do processo foi marcado pela presidente do colectivo de juízes, Ana Peres, para 24 de Novembro, a véspera do quarto aniversário da detenção de Carlos Silvino.
Entre testemunhas, peritos e consultores ouvidos, 990 pessoas já passaram pelo banco das testemunhas e prestaram 1172 depoimentos no julgamento, que dura há quatro anos e já acumulou 402 sessões, num total de 1583 horas.
Tantas horas resultaram numa verdadeira pilha de registos: 968 cassetes áudio, 314 dvd, 105 cd e 12 cassetes de vídeo foram gravados ao longo das sessões.
O processo tem cerca de 60400 folhas repartidas por 255 volumes e 528 apensos.
Ao longo dos trabalhos, já foram apresentados 143 recursos, 72 dos quais na fase de inquérito, 13 na fase de instrução e 58 já em julgamento.
Foram ainda proferidos 1708 despachos e apresentados 1818 requerimentos.
Em tribunal respondem Carlos Silvino, Carlos Cruz, Ferreira Diniz, o advogado Hugo Marçal, o embaixador Jorge Ritto e Gertrudes Nunes, proprietária de uma casa de Elvas em que alegadamente ocorreram abusos sexuais.


