Casa Pia: Carlos Silvino volta a acusar Hugo Marçal de envolvimento nos abusos

09.10.2006 - 20:50 Por Lusa
O principal arguido do processo Casa Pia, Carlos Silvino ("Bibi"), disse hoje em tribunal que era o arguido Hugo Marçal quem lhe telefonava a dizer que "os rapazes" que participariam em sessões de sexo em Elvas "estavam prontos".
Na sessão 229ª do julgamento, a decorrer no Tribunal de Santa Clara, em Lisboa, Carlos Silvino pediu a palavra para apresentar um número de telemóvel que, segundo disse, era usado por Hugo Marçal para o avisar de que os jovens que ele próprio levava a Elvas para participar em sessões de sexo com adultos estavam prontos para regressar à Casa Pia de Lisboa.
Hugo Marçal, advogado de Elvas e também arguido, usava esse telemóvel e também o telefone fixo da sua própria casa para lhe ligar, disse Carlos Silvino da Silva.
Uma acusação de Carlos Silvino no dia em que o tribunal começou a ouvir as primeiras testemunhas apresentadas pela defesa dos arguidos, no caso três jornalistas do jornal online "PortugalDiário" (na altura que foi divulgado o escândalo de pedofilia) e uma da TVI.
Hugo Marçal acabou por ser dos nomes hoje mais falado, depois do jornalista Carlos Lima (ex-"PortugalDiário") ter dito em tribunal que aquele que foi o primeiro advogado de Carlos Silvino lhe afirmou uma dia em Elvas (há mais de três anos) que era inocente, mas que "os outros eram todos culpados".
A frase foi também lembrada por Patrícia Pires, que com Luísa Melo formou o grupo de três jornalistas do jornal online arrolados por terem sido citados por algumas das alegadas vítimas.
Os três jornalistas admitiram que conheceram alguns dos jovens que terão sido abusados e dois deles confessaram mesmo que estabeleceram num ou dois casos relações de amizade.
Manuela Moura Guedes, da TVI, na altura da investigação do escândalo de pedofilia a apresentar o noticiário da noite da estação, foi também hoje ouvida, confessando que embora não tivesse propriamente relações de amizade deu dinheiro e roupas a um dos jovens que alegadamente foi abusado.
Porque se tratava de um jovem que vivia sozinho, quase da idade de um dos seus filhos, deixava-o passar algumas tardes na TVI, dava-lhe dinheiro algumas vezes, e ofereceu-lhe um telemóvel e roupas que tinham sido dos filhos, contou.
No entanto, negou que a TVI alguma vez tivesse feito uma cobertura tendenciosa do caso ou que tivesse qualquer tipo de conflito com o arguido Carlos Cruz, com quem, afirmou, respondendo a José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino, manteve uma relação estritamente profissional na altura em que os dois trabalhavam na RTP.
O facto do advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa Carlos Cruz, ter prestado aconselhamento jurídico na TVI também foi discutido em tribunal, tendo o causídico explicado, já no exterior da sala, que a partir do momento em que recebeu um telefonema para representar Carlos Cruz ligou ao director da TVI, José Eduardo Moniz, para deixar o processo em que estava envolvido.
O telefonema de Serra Lopes, o outro advogado de Carlos Cruz, aconteceu no mesmo dia em que ia visionar na TVI uma reportagem sobre a Casa Pia que a estação emitiria nessa noite.
Ricardo Sá Fernandes explicou que acabou por fazer a introdução da reportagem quatro horas antes dela ser emitida, por acordo entre ele e José Eduardo Moniz.
O advogado explicou ainda que chamar a tribunal os jornalistas que foram citados pelas vítimas tem como objectivo, para os advogados de defesa, perceber que contactos haviam entre os jovens e os jornalistas.
E para Ricardo Sá Fernandes não há dúvidas: "os contactos que existiram entre os jornalistas e as vítimas inquinaram este processo".

