Carolina Salgado e Pinto da Costa confrontam versões hoje à tarde no Tribunal de Gondomar

14.05.2008 - 09:23 Por António Arnaldo Mesquita
Carolina Salgado e Jorge Nuno Pinto da Costa vão estar hoje juntos na sala de audiências onde decorre o julgamento do processo principal do Apito Dourado para serem acareados. A diligência foi requerida pelo procurador da República Gonçalo Silva, perante as “notórias contradições” entre os depoimentos de ambos em relação a eventuais encontros com dois arguidos, Pinto de Sousa e Valentim Loureiro, num restaurante deste último, no Porto.
Carolina Salgado afirmou que esteve presente em alguns almoços envolvendo o seu antigo namorado, o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e Valentim Loureiro. E que o objectivo dos encontros seria combinar árbitros para jogos do Sport Clube de Gondomar.
Esta versão foi desmentida por Jorge Nuno Pinto da Costa e por funcionários do estabelecimento, que garantiram ao colectivo que nunca tinham visto Carolina Salgado no restaurante, acrescentando que dele seria cliente frequente Pinto da Costa.
As versões eram de tal maneira contraditórias, o que já tem ocorrido noutros inquéritos em que Carolina Salgado é testemunha do Ministério Público (MP), que o magistrado do MP requereu a acareação.
Deferida pelo juiz-presidente Carneiro da Silva, a diligência será a primeira em que declarações de Carolina Salgado vão ser objecto de contraditório, desde que colabora com a equipa coordenada por Maria José Morgado.
As palavras de Carolina Salgado, recorde-se, foram consideradas decisivas para reabrir alguns inquéritos contra Pinto da Costa. O presidente do FC Porto seria acusado em dois deles (FC Porto-Estrela da Amadora e Beira-Mar- FC Porto).
Estes inquéritos foram, aliás, o sustentáculo da recente punição do líder do FC do Porto e da perda de seis pontos imposta ao clube pela decisão da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes. Os juristas deste organismo acabariam por não inquirir Carolina Salgado no caso da alegada entrega de um envelope de 2500 euros ao árbitro Augusto Duarte. A ex-namorada de Pinto da Costa faltou e o órgão liderado por Ricardo Costa prescindiu da sua inquirição, aceitando na totalidade as declarações prestadas por ela nas fases de inquérito e de instrução. As palavras de Carolina só não tiveram consequências jurídicas, quando assumiu a autoria moral do espancamento de Ricardo Bexiga e os autos foram arquivados.

