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Tribunal de Gaia

Carolina Salgado apanhada em contradições no “caso envelope”

09.03.2009 - 13:44 Por Mariana Oliveira, Romana Borja-Santos

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A ex-companheira de Pinto da Costa foi insultada à saída do tribunal, tal como na semana passada A ex-companheira de Pinto da Costa foi insultada à saída do tribunal, tal como na semana passada (Fernando Veludo/NFACTOS (arquivo))
A ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, foi hoje ouvida pelos três advogados da defesa na quarta sessão do julgamento do “caso envelope”, que decorre no Tribunal de Gaia, tendo sido confrontada com várias contradições nos seus testemunhos sobre o alegado caso de corrupção que envolve o presidente do FC Porto. À saída, tal como na semana passada, voltou a ser insultada pelos presentes.

Carolina Salgado foi confrontada com as incoerências entre as declarações que fez na Polícia Judiciária, na fase de instrução do processo e agora no julgamento. Um das principais contradições que o advogado de Pinto da Costa, Gil Moreira dos Santos, apontou está no montante que acusa o dirigente do FC Porto de ter pago ao árbitro Augusto Duarte para favorecer o seu clube num encontro com o Beira-Mar, que remonta a 2004.

De acordo com Carolina Salgado, dois dias antes do jogo, o árbitro – que foi hoje pela primeira vez ao tribunal mas optou por não prestar declarações – terá ido a sua casa encontrar-se com Pinto da Costa. Contudo, as versões sobre o encontro não coincidem: a 30 de Novembro de 2006 Carolina disse ter visto o seu companheiro dar um maço de notas a Augusto Duarte num montante entre os 2500 e os 3000 euros. Em Janeiro de 2007 falou num envelope com 2500 euros e dois meses depois garantiu que foi o próprio Pinto da Costa que lhe disse a quantia exacta e que colocou o dinheiro no envelope à sua frente.

Um outro problema no discurso de Carolina Salgado está na relação que tinha com Augusto Duarte e com o também árbitro Martins dos Santos. No seu livro Carolina escreve que eram “visita frequente” na sua casa e do ex-companheiro mas no julgamento disse que eles só tinham lá ido uma vez. Carolina explicou que no livro usou uma “força de expressão”.

O terceiro problema está nos intervenientes no encontro onde terá sido trocado o envelope. De acordo com Carolina além si, de Pinto da Costa e de Augusto Duarte estava presente o empresário de futebol António Araújo. Numa primeira versão assegurou que tinha estado sempre presente. Depois admitiu ter-se ausentado para fazer café mas desvalorizou o facto. Na fase de instrução disse não ter estado permanentemente na sala e no testemunho na PJ garantiu ter estado sempre no corredor. Hoje, Carolina Salgado explicou que “o corredor faz parte da sala”.

Uma outra incoerência está na altura em que terá sido trocado o dinheiro: primeiro Carolina disse que Pinto da Costa entregou o envelope e só depois pediu o favorecimento. No entanto, numa outra versão disse que primeiro foi feito o pedido para beneficiar o FC Porto e que só mais tarde foi dado o dinheiro. Agora assegura que o tema esteve presente durante toda a conversa.

Corrupção desportiva activa e passiva

O Tribunal de Gaia iniciou na passada terça-feira o julgamento do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e de mais dois arguidos no âmbito do chamado "caso do envelope", um processo do "Apito Dourado" relativo ao jogo Beira-Mar/Porto. Jorge Nuno Pinto da Costa e o co-arguido António Araújo - um empresário de futebol - estão pronunciados pelo crime de corrupção activa desportiva. Ao árbitro Augusto Duarte é imputado o crime de corrupção desportiva na forma passiva.

O julgamento ocorre cerca de um ano depois da juíza Anabela Tenreiro, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, ter decidido, num despacho de 50 páginas, que o caso iria mesmo à barra judicial. Este processo reporta-se ao encontro Beira-Mar/FC Porto, da 31ª jornada da Superliga de 2003/2004, que foi realizado em 18 de Abril de 2004 e terminou com um empate sem golos.

Dois dias antes daquele jogo, o árbitro Augusto Duarte e António Araújo visitaram Pinto da Costa na sua casa na Madalena, Gaia. O presidente portista terá alegadamente dado então um envelope com dinheiro ao árbitro, acusa o Ministério Público. O montante em causa seria 2500 euros, segundo afirmações de Carolina Salgado, repetidas já no TIC do Porto, num depoimento que a juíza de instrução acabou por credibilizar.

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carolina

Como eu ando tão aborrecido com isto tudo.Até já fui pedir às bruxas/evidentes de Vale de ...

ZÉ ANDRADES

12.03.2009 20:42

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