Alguma da carne de porco irlandesa que entrou em Portugal acusou presença de dioxinas ligeiramente acima dos limites permitidos pela União Europeia, informou hoje o Ministério da Agricultura em nota de imprensa. As cerca de 30 toneladas, “que se encontram praticamente todas retiradas do mercado”, vão ser destruídas.
Na sequência das análises efectuadas a amostras de carne irlandesa suspeitas de estarem contaminadas com dioxinas, constatou-se que “alguns resultados foram positivos”, lê-se.
Face aos resultados, a carne de suíno que deu entrada no país nos últimos dois meses e foi retida pelas autoridades portuguesas será destruída sob supervisão das autoridades oficiais. O Ministério da Agricultura informou que estavam retidas 23,4 toneladas, uma tonelada foi exportada e a restante foi transformada em enchidos, salsichas ou outros produtos. Alguns produtos foram apreendidos pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica mas admite-se que tenha havido alguns que foram consumidos.
O Ministério da Agricultura garante que “não existe qualquer motivo de preocupação”. O assessor de imprensa do ministério, Mário Ribeiro, refere que mesmo que tenha havido uma pequena exposição a estes produtos transformados nunca seria suficiente para ter efeitos na saúde. Até porque, como garantiu na semana passada a EFSA (Agência Europeia de Segurança Alimentar), “os níveis de contaminantes que se acumularam eventualmente no organismo dos humanos que ingeriram a carne, são de tal modo baixos que não têm a mínima possibilidade de provocar efeitos adversos sobre a saúde desses indivíduos”.
Ou seja, no cenário improvável de alguém ter comido uma grande quantidade de carne de porco todos os dias desde a detecção do problema (há 90 dias), e de toda carne estar contaminada com os níveis mais altos de dioxinas, mesmo assim não haveria necessariamente efeitos sobre a saúde. A EFSA refere que a margem de segurança garantida pelos limites legais é muito alta.
As autoridades irlandesas confirmaram a detecção de níveis de dioxinas 100 vezes superiores ao permitido pela União Europeia em porcos que provinham de nove quintas no país. Na origem do problema está uma fábrica, a "Millstream Power Recycling", que produz rações e abastecia as criações em causa.


