Cardeal Patriarca de Lisboa reconhece crise mas recusa “alarmismos”

27.06.2008 - 10:28 Por Lusa, PÚBLICO
O cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, reconheceu hoje a existência de uma crise em Portugal, mas alertou para a necessidade de se fazer um esforço para não criar “alarmismos”.
“Estou a fazer pessoalmente um esforço para não criar alarmismos fáceis demais. Não é a primeira vez que há crises, a humanidade tem mostrado que as crises podem superar-se”, defendeu José Policarpo, em entrevista à Lusa a propósito dos 30 anos da sua ordenação episcopal como bispo auxiliar de Lisboa, que comemora no domingo.
Por isso, acrescentou, para si o mais importante é estar atento às pessoas que sofrem. “A mim interessa-me mais estar atento às pessoas que vão sofrer neste caminho, do que saber quais os mecanismos da sociedade para superar isso”, referiu, defendendo o “ressuscitar do sentido de vizinhança”.
“Pode haver ao lado ou no vizinho de cima uma pessoa a passar mal e as pessoas não dão por isso. Essa atenção à realidade significa o ressuscitar do sentido de vizinhança entre a população, que era muito forte na população rural”, sustentou.
Números recentes revelados pelo Instituto Nacional de Estatística apontam a existência de cerca de dois milhões de pobres em Portugal, o que significa que um quinto dos portugueses vive com menos do que o Salário Mínimo Nacional.
Falta de informação nas escolas
O cardeal patriarca de Lisboa alertou ainda para a falta de informação clara sobre o fenómeno religioso nas escolas e defendeu a realização de um estudo comparado das religiões.
“Falta no sistema educativo uma informação clara, objectiva e positiva do fenómeno religioso. Esta ideia de que a religião passou à história está desmentida pela realidade histórica, a religião nunca teve tanta importância”, afirmou José Policarpo.
Disse também que o papel da Igreja na sociedade é de missão e serviço e não de poder, porque “é uma obra de todos”. Na sua opinião, esta foi a mensagem que o Papa Bento XVI transmitiu aos bispos portugueses na visita “ad limina”, em Outubro de 2007.
A Visita “ad limina” é uma obrigação imposta pela Igreja Católica Romana aos seus bispos diocesanos de a cada cinco anos visitarem os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo, em Roma, e por essa altura encontrarem-se com o Papa. Nessa ocasião apresentam ao Papa o “Relatório Quinquenal do Estado da Diocese”.

