Capucho defende que PSD deve separar política de investigação judicial no caso Freeport

04.04.2009 - 15:30 Por Lusa
O presidente da Câmara de Cascais e membro do Conselho Nacional do PSD, António Capucho, considerou hoje que no caso Freeport o seu partido deve separar a parte política da "investigação judicial" mas não pode deixar de se pronunciar.
Falando na abertura do curso de formação autárquica do PSD em Cascais, António Capucho defendeu que os sociais-democratas não devem deixar de comentar o caso do licenciamento do 'outlet' de Alcochete e que a "verdadeira escandaleira" do BPN não deve levar ao "silêncio".
Questionado no final da sua intervenção, Capucho reiterou que defende uma postura diferente sobre o caso Freeport mas salientou a importância de separar factos políticos e "investigação judicial". O social-democrata confessou também que, com a crise internacional, por vezes se sente "irritado" por ver o PCP e o Bloco de Esquerda a defender as "bandeiras da honestidade" por vezes com "o grande conluio dos órgãos de comunicação social" e que a líder do seu partido, Manuela Ferreira Leite, deve aproveitar a sua imagem para defender esses valores.
"Eu tenho a convicção profunda de que a Manuela Ferreira Leite tem uma imagem extremamente positiva e tem uma credibilidade muito grande para assumir esta causa, tem uma imagem impoluta e frontal e não podemos deixar esta bandeira aos meninos e meninas do PCP e do Bloco de Esquerda, por vezes com o grande conluio dos órgãos de comunicação social, nomeadamente com aqueles que têm gente ligada a esta extrema-esquerda", afirmou.
Actuação “desastrosa” do PS e do PSD em relação ao Provedor de Justiça
"O partido tem de ter a coragem de não ter qualquer hesitação em afastar qualquer pessoa com ligação a escândalos", acrescentou. Na sua intervenção, na abertura do curso de formação para autarcas do PSD, António Capucho falou ainda sobre o caso do Provedor de Justiça, mostrando-se muito crítico da actuação "desastrosa" do seu partido e do PS.
"É desastroso o que tem sido feito, penso que é um assunto que tem sido muito mal gerido", afirmou António Capucho, acrescentando que a demora na escolha do sucessor de Nascimento Rodrigues mostra "inoperância e incompetência" e "deteriora a imagem dos partidos políticos".
Capucho deixou ainda alguns recados ao seu partido por "não tomar posição" sobre a regionalização, que o secretário-geral do PS, José Sócrates, inscreveu na sua moção de estratégia para a próxima legislatura e por não ter chegado a acordo com os socialistas para a nova lei autárquica, algo que considerou "gravíssimo" por deixar que as "assembleias municipais continuem a ser verdadeiras farsas".
"Eu estou completamente à vontade porque sou a favor da regionalização, mas este Governo não é de modas. Perde a regionalização nas urnas [no referendo de 1998] e agora vai fazê-la por decreto e eu não vejo o PSD a tomar uma posição", disse.
"Isto indirectamente afecta a democraticidade porque ultrapassa uma decisão do povo português", acrescentou o autarca de Cascais.

