O cancro da tiróide afecta todos os anos meio milhar de portugueses, a maioria dos quais mulheres. A doença, em foco nas Jornadas de Endocrinologia do Hospital Militar Principal, que decorrem hoje e amanhã, em Lisboa, motivou a criação de um documento inédito com linhas de orientação dedicadas aos profissionais de saúde e cujo objectivo é melhorar a qualidade de vida dos doentes.
O documento - Consenso para o Tratamento do Cancro da Tiróide em Portugal -, pioneiro em Portugal, pretende "proporcionar linhas de orientação a todos aqueles que se encontram envolvidos na assistência aos doentes com cancro da tiróide", segundo o médico endocrinologista Fernando Rodrigues, um dos responsáveis pela listagem.
Tendo como objectivo "melhorar a qualidade de vida dos doentes com carcinoma da tiróide", segundo este médico, o documento servirá os cerca de 500 doentes que anualmente são afectados por este cancro. As mulheres são quatro vezes mais atingidas do que os homens por este tipo de carcinoma e a taxa de sobrevivência não ultrapassa os 25 por cento.
Quando existe cirurgia, após a intervenção pode surgir outro problema "bastante comum e grave para os doentes", que são os episódios de hipotiroidismo - cansaço, ganho de peso, olhos e rosto inchados, esquecimento, depressão, distúrbios menstruais e obstipação.
Na Europa o cancro da tiróide afecta todos os anos 25 mil pessoas, provocando cerca de seis mil mortes.
A tiróide é uma glândula localizada na base do pescoço, imediatamente abaixo da "maçã de Adão". As suas funções são produzir, armazenar e libertar para a corrente sanguínea as hormonas tiroideias. Estas hormonas, também designadas T3 e T4, regulam o metabolismo corporal e o funcionamento dos órgãos, e influenciam o batimento cardíaco, o nível de colesterol sanguíneo, o peso corporal, o nível energético, a força muscular, a memória, entre outras funções corporais.


