Cancro colorectal afecta 80 mil portugueses mas não há programa de rastreio

30.09.2008 - 16:22 Por Lusa
O cancro colorectal afecta cerca de 80.500 pessoas em Portugal, sendo que só no último ano foram detectados quase 6400 novos casos, revela um estudo hoje divulgado no Porto, no Dia Nacional do Cancro Digestivo. Durante o encontro diferentes especialistas criticaram a ausência de um programa de rastreio que permitiria reduzir a mortalidade.
De acordo com o estudo, cujo objectivo foi fazer uma avaliação da prevalência de cancro colorectal em Portugal, este tipo de cancro atinge aproximadamente 80.540 portugueses. Dos doentes identificados neste estudo como tendo cancro colorectal, 52 por cento eram mulheres.
O estudo, realizado pela ForPoint, Instituto de Formação e Inovação na Saúde e denominado "Cancro Colorectal na Comunidade", foi realizado no início do ano, sendo a amostra constituída por 10.394 pessoas de todo o território continental e ilhas. Neste estudo, foi aplicado um questionário por entrevista directa a todos os inquiridos com 18 anos ou mais.
De acordo com a investigação realizada, a prevalência de cancro colorectal aumenta com a idade até aos 75 anos. A prevalência deste tipo de cancro é superior acima dos 45 anos, sobretudo acima dos 65 anos, não se verificando diferenças por sexo.
Sintomas
A maioria dos inquiridos (62 por cento) apontou a existência de sangue nas fezes como o primeiro sintoma, seguindo-se a falta de forças (46 por cento), a diarreia (25 por cento), a obstipação (23 por cento) e a anorexia (17 por cento). O estudo permitiu perceber que o médico de clínica geral é o primeiro profissional a fazer o diagnóstico (49 por cento dos casos), seguindo-se um especialista (31 por cento) e por último na urgência hospitalar (21 por cento).
Ana Macedo, responsável pela investigação, adiantou que 90 por cento dos inquiridos realizam cirurgia. A maioria dos doentes (72 por cento) são seguidos por um médico oncologista, sendo que 97 por cento destes têm as consultas no serviço público. O estudo revela ainda que 71 por cento dos doentes realizaram quimioterapia.
O cancro colorectal é o segundo cancro de maior incidência na Europa e o segundo de maior incidência e mortalidade em Portugal. A margem de erro deste estudo é "inferior a 0,1 por cento". Segundo Moreira Dias, médico do Instituto Português de Oncologia do Porto, em Portugal o cancro colorectal mata cerca de 3000 pessoas por ano. O médico referiu que, de acordo com dados de 2005, morreram em Portugal 3319 pessoas vítimas deste tipo de cancro, das quais 1836 homens.
Rastreio
Especialistas em oncologia defenderam também no Porto a implementação de um rastreio em Portugal ao cancro colorectal, considerando-o "fundamental" para diminuir novos casos e a sua taxa de mortalidade. "Não está implementado um programa de rastreio de cancro colorectal", afirmou esta manhã Moreira Dias, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, no âmbito da apresentação do estudo.
"Cerca de 50 por cento da população com diagnóstico de cancro colorectal acaba por falecer da doença", acrescentou o médico. Moreira Dias disse mesmo que "fica sempre mais barato" implantar o rastreio do que suportar os gastos em quimioterapia e radioterapia, "que assim poderiam ser evitados".
Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal, considerou que os resultados deste estudo hoje divulgado demonstram que este é um tipo de cancro com uma grande taxa de incidência em Portugal. "Trata-se de uma doença que precisa de um acompanhamento especial", disse Vítor Neves, acrescentando que "necessitava de um rastreio".
Para Vítor Neves, hoje estamos onde estava o cancro da mama há 10 anos, sendo necessário realizar um trabalho profundo, que não existe. "É preciso sensibilizar as pessoas para que conheçam os sintomas e realizem os exames que permitem rastrear o cancro colorectal", sublinhou.
Colonoscopia

