É uma operação que envolve cerca de 20 mil voluntários - a maior acção de voluntariado do país. E que se destina a contribuir para a alimentação de 245 mil pessoas. "São mais as que precisam, mas não conseguimos chegar a todas, até porque há muitos casos de pobreza envergonhada", diz Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome. Entre hoje e amanhã, decorre mais uma campanha de recolha de alimentos.
A federação nota que o "país atravessa uma das mais graves situações das últimas décadas". E que, de acordo com o Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, quase 20 por cento dos portugueses vivem ou estão em risco de viver em situação de pobreza. Motivos para temer menos sucesso para esta campanha?
Jonet acredita que "em tempos de crise as pessoas são ainda mais solidárias". Mas só lá para domingo será possível avaliar se os portugueses foram mais generosos. "O que importa não é dar muito. É sermos muitos a dar", diz Isabel Jonet.
Para participar, como sempre, basta ir ao supermercado e deixar com os voluntários dos 14 bancos alimentares do país um saco com algumas compras, de preferência não perecíveis (como arroz, massas, leite e conservas).
Em Portugal, o primeiro banco alimentar contra a fome nasceu em 1992. Todos os anos, a federação organiza duas campanhas de recolha de alimentos nas superfícies comerciais. A última foi em Maio e os portugueses doaram então 1702 toneladas de alimentos. Em Dezembro de 2007, tinham sido dadas 1600 toneladas.
Estas campanhas são apenas uma das fontes dos bancos alimentares. Donativos de empresas e particulares, excedentes agrícolas e da indústria agro-alimentar e os produtos de intervenção da União Europeia fazem com que seja possível distribuir quase 80 toneladas de alimentos por dia útil (dados de 2007) a "pessoas comprovadamente carenciadas".
Actualmente, 1618 instituições abastecem-se nos bancos alimentares, para apoiar 245 mil pessoas - um número que não tem parado de crescer porque há mais gente a precisar. E também porque há mais bancos alimentares, nota Jonet.
Este ano, a federação lançou ainda uma nova forma de contribuir. Chama-se Ajuda Vale e decorre até 7 de Dezembro. Nas lojas das principais cadeias de hiper e supermercados do país haverá cupões de produtos seleccionados que os consumidores podem entregar na caixa quando pagam as compras.


