Todos os centros de saúde, todos os hospitais, maternidades, creches e infantários do país vão poder conhecer um bebé de cabelo em bico na testa e com a letra B na mão. É a principal imagem do cartaz e panfleto do projecto “Conversar desde o berço” concebido pela equipa de pediatria de um centro de saúde do Porto e que amanhã é oficialmente lançado para todo o país. A acção que quer contribuir para a “Estimulação da Linguagem em Crianças dos 0 aos 5 anos” conta com o apoio do Alto-Comissariado da Saúde e Sociedade Portuguesa de Pediatria.
Fazer aquela figura tonta de balbuciar palavras impossiveis com o seu bebé recém-nascido pode, afinal, fazer todo o sentido do mundo. São “brincadeiras” como esta que podem ajudar um bebé a falar. “Queremos dizer aos pais que o importante não é só crescer, é desenvolver”, refere a autora do projecto “Conversar desde o berço” que a ministra da Saúde, Ana Jorge, vai conhecer hoje no Porto.
Fátima Pinto é pediatra e há mais de uma década que trabalha na área dos cuidados de saúde primários. Os privilegiados utentes do Centro de Saúde da Carvalhosa, no Porto, já conhecem o tal bebé de letra B na mão desde 2008 e já tiveram acesso a campanhas de informação sobre prevenção de acidentes, a morte súbita, protecção solar, incentivo à amamentação, entre outras. Agora chegou a vez do desenvolvimento da linguagem. Nas salas de espera, estará um cartaz com “actividades lúdicas favoráveis à comunicação dos filhos” (ver link). Na consulta e após uma conversa, os pais terão ainda um panfleto mais detalhado sobre as capacidades associadas a cada etapa e as sugestões de brincadeiras úteis. O ditado diz que a criança vai falar pelos dois anos, mas para que isso aconteça o trabalho dos pais tem de começar no berço, defende a pediatra que propõe “actividades que tornam as crianças mais calmas e confiantes e reforçam os laços afectivos familiares”.
“Percebi na minha consulta que as crianças estavam a ficar mais fechadas, mais reservadas. Os pais valorizam muito os percentis mas desvalorizam a linguagem”, conta Fátima Pinto. Os pais devem reservar, pelo menos, 15 minutos por dia para dedicar em exclusivo ao seu filho para brincar, aconselha a pediatra que propõe a proibição de televisão a crianças com menos de dois anos –“é sempre preferível um livro”. As actividades com livros são, aliás, das principais dicas da campanha. A especialista avisa ainda: “Muitos pais ficam de consciência tranquila porque conseguem pagar um bom infantário, comprar um bom carrinho de passeio e os fatinhos mais bonitos. Mas muitas vezes, isto faz-se com o prejuízo da comunicação, da brincadeira. Não compensa”. E repete: “O importante não é só crescer, é desenvolver”.
O trabalho foi elaborado com a colaboração de Luisa Neiva Araújo.


