Camiões utilizados para transportar produtos tóxicos podem levar alimentos

17.11.2006 - 12:27 Por Lusa
Os camiões que transportam resíduos tóxicos podem transportar produtos alimentares, desde que sejam cumpridas todas as regras definidas, como a lavagem dos veículos, sublinha o Serviço Especial de Protecção da Natureza, em reacção à denúncia de um deputado espanhol de casos semelhantes que envolvem camiões portugueses.
"Não tem problema nenhum, desde que sejam cumpridas todas as regras legalmente definidas", como, por exemplo, a lavagem dos camiões, disse o coordenador do Serviço Especial de Protecção da Natureza (Sepna), major Jorge Amado.
De acordo com o responsável, existem apenas três situações em que um veículo não pode ser usado para qualquer outro fim: os camiões-cisterna, os contentores fechados para resíduos perigosos e o transporte de líquidos.
O deputado espanhol Francisco Garrido, porta-voz dos Verdes da Andaluzia, denunciou ontem que duas empresas portuguesas usam camiões de transporte de resíduos tóxicos para transportar produtos alimentares para vários pontos da Península Ibérica.
O deputado disse que os camiões são usados para transportar resíduos tóxicos para a central de tratamento de Nerva, em Huelva, onde são lavados, viajando em seguida para Riotinto ou Huelva, onde são carregados com produtos alimentares.
O coordenador do Sepna, Jorge Amado, indica que, neste momento, o serviço da GNR "está a desenvolver investigações para apurar o que as empresas trouxeram e levaram", sublinhando que "o que interessa é saber se os produtos foram transportados nas condições exigidas legalmente".
De acordo com o mesmo responsável, se existir a factura da lavagem e o respectivo certificado, "está tudo legal", já que não existe qualquer risco para a saúde pública.
A Agência de Segurança Alimentar e Económica identificou hoje a empresa Transporte Evaristo Luís, Lda como sendo a segunda firma suspeita de transportar produtos tóxicos e alimentos nos mesmos camiões. A empresa em causa está sedeada no MARL - Mercado Abastecedor da Região de Lisboa.
A ASAE identificou ontem a transportadora Bizarro Duarte, sedeada na Malveira, como outra das empresas visadas pela denúncia. A autoridade está a recolher amostras para análise dos produtos que foram transportados para Portugal, em empresas de transformação localizadas em Lisboa e no Porto.

