Apenas um enfermeiro do primeiro turno da tarde (que começou às 16H00) se apresentou hoje para trabalhar no call centre de Lisboa da Linha Saúde 24. Os restantes profissionais recusaram-se a fazê-lo, encontrando-se concentrados à portas das instalações do serviço, na Avenida das Forças Armadas.
À entrada, os enfermeiros que protestam contra a Administração da LCS - Linha de Cuidados de Saúde que gere aquele serviço público por ignorar as denúncias relatadas na carta dos supervisores e dos enfermeiros do centro de atendimento de Lisboa à ministra Ana Jorge, em Outubro passado, informaram a colega que se apresentou ao serviço do que se estava a passar, tendo optado por ir trabalhar.
Ao contrário do que aconteceu em Janeiro, desta vez o call centre de Lisboa não está totalmente parado, embora lá dentro estejam apenas o director do call centre, Paulo Lopes, duas supervisoras e a enfermeira do turno da tarde. Todos os colegas dos turnos da manhã já abandonaram as instalações.
Em Janeiro, todas as chamadas feitas pelos utentes da linha no período em que o call centre de Lisboa esteve parado foram reencaminhadas para o Porto e hoje é também provável que muitas das chamadas serão também reencaminhadas para o Porto, uma vez que o maior volume de telefonemas acontece da parte de tarde. Por dia, a Saúde 24 regista uma média de 1600/1700 chamadas.
Na altura, os enfermeiros decidiram parar a linha em Lisboa pelo facto de a administração ter despedido sete enfermeiros do serviço de atendimento, quatro dos quais eram testemunhas abonatórias da enfermeira supervisora Ana Rita Cavaco, num processo que a empresa moveu àquela profissional, na sequência da carta à ministra Ana Jorge, na qual a alertavam para o “caos organizativo em que o serviço estava a funcionar”. Os outros três enfermeiros despedidos integravam a equipa da enfermeira supervisora, entretanto suspensa. A justificação avançada pela administração da LCS para a suspensão daquela supervisora foi que a sua presença nas instalações “perturbava o funcionamento do serviço”.
A situação tem-se arrastado na comunicação social, e a Direcção-geral de Saúde, que teme que este conflito acaba por prejudicar a imagem e qualidade do serviço da Saúde 24, tem mantido contactos com o presidente do Conselho de Administração da LCS. Nunes Coelho, no sentido de resolver o mais rapidamente possível o conflito. No âmbito dessas negociações, a administração comprometeu-se a readmitir os enfermeiros despedidos, mas até hoje apenas um regressou à Saúde 24, segundo garantem os outros enfermeiros dispensados.
A Linha Saúde 24 resulta de uma parceria público-privada estabelecida entre o Governo (Direcção-Geral de Saúde) e o LCS (uma empresa do Grupo Caixa Geral de Depósitos) e a não revogação do contrato já foi admitida pelo director-geral de Saúde, Francisco George, que tem apontado o dedo a administração pela falta de “sensibilidade para gerir enfermeiros”.


