Corpo não foi encontrado nos destroços

Califórnia: autoridades locais confirmam que avião encontrado é o de Steve Fossett

02.10.2008 - 19:35 Por PÚBLICO, Agências

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Fossett está desaparecido há um ano Fossett está desaparecido há um ano (Andy Tyndall/Reuters (arquivo))
As autoridades locais confirmam que o avião encontrado na Serra Nevada, no nordeste da Califórnia, é o mesmo em que seguia o aventureiro Steve Fossett, desaparecido há um ano, mas até ao momento não foi encontrado qualquer corpo.

Em conferência de imprensa, o xerife do condado de Madera explicou que uma equipa de busca conseguiu chegar até aos destroços, localizados ontem por meios aéreos, e confirmaram que o número de matrícula é o do Bellanca Super Decathlon que pertencia ao milionário norte-americano.

“Os destroços do avião são os do aparelho que Fossett pilotava quando desapareceu” no dia 3 de Setembro de 2007, afirmou o xerife John Anderson.

Contudo, a informação ainda não foi confirmada pelo gabinete de investigação de acidentes aeronáuticos, que pouco antes anunciara a descoberta de um aparelho semelhante ao de Fosset. A porta-voz do Gabinete Nacional de Segurança nos Transportes, Keith Halloway, explicou que uma equipa de peritos está ainda a caminho do local do acidente.

Apesar de não ter sido encontrado qualquer corpo no local, o xerife diz duvidar “que alguém possa ter saído vivo” do acidente, tal é o grau de destruição da avioneta, que terá embatido contra uma montanha, espalhando destroços por várias centenas de metros, adianta a BBC online.

Anderson explicou que nos próximos dias vai ser feita uma busca intensiva para encontrar os restos mortais do piloto, mas disse que, devido à presença de muitos animais na zona, “por vezes não é possível encontrar nada durante dias”.

A aeronave foi localizada horas depois de montanhistas terem encontrado uma camisola, dinheiro e documentos com o nome de Fossett nas imediações de Mammoth Lakes, uma área a 2400 metros de altitude, na parte leste da Serra Nevada.

A zona fica não muito longe do vizinho estado do Nevada, de onde o avião de Fosset descolou na tarde de 3 de Setembro de 2007. Contudo, não foi abrangida pelas buscas realizadas nas semanas que se seguiram ao desaparecimento de Fossett, um rectângulo de várias centenas de quilómetros quadrados, cujo limite sul se estendia quase até Mammoth Lakes.

As buscas previstas para os próximos dias poderão, contudo, ser dificultadas pela forte queda de neve e ventos fortes previstos para os próximos dias na zona.

O milionário, de 63 anos, mundialmente conhecido pela sede de aventura que o levou a estabelecer vários recordes marítimos e aéreos, foi legalmente declarado morto em Fevereiro do ano passado, depois de esgotadas todas as esperanças de o localizar com vida.



A aventura dos recordes


Aquando do seu desaparecimento, a 3 de Setembro de 2007, Steve Fossett detinha um total de 115 recordes ou estreias mundiais, incluindo máximos oficiais em cinco desportos, segundo a contabilidade feita pelo seu site pessoal.


A maior proeza foi alcançada em 2005, quando, após várias tentativas frustradas, efectuou o primeiro voo a solo à volta do mundo, sem paragens nem reabastecimentos, a bordo de um moderno avião de design ultra-leve.

No ano seguinte usou o mesmo aparelho, baptizado Global Flyer, para estabelecer um novo recorde de distância em voo solitário, percorrendo 42 mil quilómetros em três dias, sem qualquer escala.

Quatro anos antes, Fossett tinha-se já tornado o primeiro homem a dar a volta ao mundo em balão, percorrendo mais de 33 mil quilómetros, novamente a solo, novamente sem escalas, durante 14 dias. Em 2004, foi a vez de concluir uma circum-navegação no enorme catamarã Cheyenne, batendo o recorde do mundo de navegação à vela.

Nascido a 22 de Abril de 1944, tem ainda no seu currículo a subida aos mais altos cumes do planeta – com excepção do Everest, que tentou escalar por duas vezes sem sucesso –, uma travessia do canal da Mancha a nado em 22 horas (1985), bem como uma das mais longas corridas de trenós puxados a cães no Pólo Norte. Pelo meio, teve ainda tempo de participar, por duas vezes, nas 24 Horas de Le Mans.

Mas entre vários sucessos há também espaço para vários reveses, alguns dos quais quase lhe custaram a vida. Em 1998, o balão em que seguia sofreu problemas técnicos, caindo de uma altitude de 8800 metros, a uma velocidade de 750 metros por minuto, sobre as águas do Pacífico.

PÚBLICO, com AFP

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