Uma burla de dez milhões de euros nas Oficinas de Fardamento do Exército chega quarta-feira a julgamento, onze anos depois da sua descoberta.
O porta-voz do Exército, tenente coronel Silva Perdigão, disse hoje à agência Lusa que "a expectativa é que se apure toda a verdade e este caso seja de uma vez por todas encerrado", acrescentando que "é uma coisa que já se arrasta há tanto tempo".
O caso, em que respondem um empresário italiano, Ricardo Privitera (burla agravada e peculato), três ex-militares com responsabilidades nas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE) e dois ex-funcionários civis (peculato), remonta a 1999.
Segundo a acusação, Privitera terá abordado os principais responsáveis pelas OGFE apresentando-se como coronel do Exército polaco e feito encomendas no valor de 90 milhões de euros, com um contrato com uma cláusula de não cumprimento no valor de oito milhões.
Em 2000, Privitera accionou a cláusula, recebendo aquele valor. Os três responsáveis das OGFE, Ferreira Gomes, Machado Joaquim e Robalo Frade, e os dois civis, Amadeu Freitas e Paulo Antunes, terão descoberto a burla, mas alegadamente aceitado subornos de Privitera para não a denunciar.
Os arguidos terão ainda utilizado uma empresa "offshore" para cobrar ao Exército mais de dois milhões de euros em excesso num negócio de coletes à prova de bala, dividindo-os entre si.
A primeira sessão do julgamento começa às 09:30 na 7ª Vara Criminal no Campus da Justiça, em Lisboa.


