Projecto vai recorrer a imagens de satélite

Brasil quer saber o que está a acontecer às zonas desflorestadas da Amazónia

20.02.2009 - 15:45 Por Helena Geraldes

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A desflorestação na Amazónia brasileira foi de 11.968 quilómetros quadrados em 2007/2008 A desflorestação na Amazónia brasileira foi de 11.968 quilómetros quadrados em 2007/2008 (Rickey Rogers/Reuters)
Depois de 20 anos a monitorizar o abate florestal na Amazónia, com a ajuda de imagens de satélite, o Brasil prepara-se agora para descobrir o que está a acontecer às zonas que já foram desflorestadas. Dados preliminares mostram que cerca de 20 por cento está em processo de regeneração.

Desde 1988, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) publica anualmente as taxas de desflorestação da Amazónia, com base em imagens de satélite relativas a floresta primária. Os dados mais recentes, relativos a 2007/2008, mostram que a taxa de desflorestação na Amazónia brasileira foi de 11.968 quilómetros quadrados.

Actualmente, o instituto tem em funcionamento dois sistemas complementares: o PRODES e o DETER. Mas estes só levam em conta as áreas desmatadas, colocando uma “máscara digital” em cima das áreas desflorestadas nos anos anteriores para impedir que sejam recontadas.

“A diferença deste novo projecto é que será possível saber o que aconteceu numa área desmatada, por exemplo, há 20 anos”, explicou ao PÚBLICO Ana Paula Soares, assessora de imprensa do INPE, com sede em São Paulo. “O PRODES não considera áreas reflorestadas, ou seja, uma vez que houve um desmate, aquela área será sempre considerada desmatada pelo PRODES, ainda que posteriormente surja uma outra vegetação ali”, acrescentou. “O novo sistema vai olhar para essas áreas que um dia foram desmatadas para saber como estão hoje”, retirando-lhes essa “máscara virtual”.

Vinte por cento da área desflorestada está em regeneração

Segundo o jornal brasileiro “Estado de São Paulo”, dados preliminares baseados numa amostra de 26 imagens de satélite indicam que 19,4 por cento da área total desmatada (700 mil quilómetros quadrados) tem florestas secundárias em processo de regeneração.

Mas esta resposta da Amazónia é temporária, uma vez que estas novas florestas têm uma “esperança de vida” de apenas cinco anos, até serem novamente derrubadas. “A floresta secundária reabsorve carbono mas isso não significa que o carbono esteja imobilizado para sempre”, disse ao “Estado de São Paulo” Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazónia do INPE, em Belém. Este engenheiro agrónomo fez o estudo para a sua tese de mestrado, com dados de 2006. Nesse ano, a área total desmatada na Amazónia era de 680 mil quilómetros quadrados. Nessa altura, as florestas secundárias cobriam 132 mil quilómetros quadrados, ou seja, uma área correspondente à superfície total da Grécia.

Especialistas brasileiros alertam que o avanço das florestas secundárias está a alterar a biodiversidade da floresta da Amazónia que dificilmente regressará ao seu estado original.

Projecto vai olhar para usos do solo

Esta pesquisa será ampliada a toda a Amazónia, com maior detalhe. Na semana passada, o ministro do Ambiente brasileiro, Carlos Minc, anunciou um acordo com o presidente do INPE, Gilberto Câmara, para começar a monitorização da reflorestação nas áreas desmatadas e a recuperação progressiva da floresta. Segundo o jornal online “24 Horas News”, o INPE vai realizar estudos preliminares e em Março reúne-se com o ministério do Ambiente para definir como viabilizar o projecto.

A nova metodologia contará com a colaboração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma vez que será estudado o uso do solo nas áreas desmatadas a nível da agricultura, pecuária, floresta secundária e outros usos.

Esta semana, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) publicou um relatório segundo o qual a desflorestação na Amazónia – que cobre a Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela – atingiu em 2005 mais de 857 mil quilómetros quadrados. As causas são o desenvolvimento das actividades económicas, a construção de infra-estruturas industriais e de transporte e o aumento da população. No conjunto da região, da população de 38,7 milhões de habitantes (mais de três vezes a população de Portugal), 21,3 milhões, ou seja, 63,6 por cento, habitam já em zonas urbanizadas.

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Alcides escreveu: "pensamento meu (firme) que de facto, o que os Brasileiros (que respeito aliás) ...

manuel

22.02.2009 12:58

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