Brasil propõe criação de um “imposto do petróleo” para alimentar fundo do clima

24.04.2009 - 15:48 Por AFP
O Brasil propôs hoje na reunião dos ministros do Ambiente do G8 em Siracusa, Sicília, a instauração de um imposto de dez por cento sobre os benefícios da indústria petrolífera para alimentar o fundo do clima que permite aos países em desenvolvimento obterem financiamento para combater o aquecimento global.
“A indústria internacional do petróleo pode suportar um imposto sobre os seus benefícios e o preço do petróleo (...) não será afectado”, comentou Carlos Minc, ministro brasileiro do Ambiente, numa conferência de imprensa.
Minc, cujo país preside ao grupo dos 17 países em desenvolvimento que albergam a maioria da biodiversidade mundial, acrescentou que o Brasil obteve em Siracusa o compromisso de que a defesa da biodiversidade seja colocada nas prioridades da conferência de Copenhaga, ao mesmo nível das alterações climáticas.
“Sem isso, e nomeadamente um compromisso para que a biodiversidade dê lugar a um pagamento compensatório por parte dos países ricos a partir de 2010, não teríamos assinado a Carta de Siracusa”, afirmou o ministro.
Minc considerou que Siracusa foi uma “boa reunião porque, ainda que não tenha sido decisiva, permitiu trocas construtivas entre os países do G8 e os outros”.
“Os países em desenvolvimento sabem que os países desenvolvidos não atingirão os seus objectivos de manter o aumento das temperaturas nos 2ºC se não reduzirem as suas emissões de CO2”, acrescentou. “Há uma grande desconfiança entre os dois grupos mas todos estão de acordo em como é preciso definir compromissos diferenciados (para países ricos e pobres), recíprocos (cada um dá um passo) e substanciais”, explicou.
ONU diz que apenas as energias renováveis criarão postos de trabalho
Achim Steiner, director-geral do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua), disse hoje em Siracusa que a economia mundial não sairá da crise e não criará postos de trabalho a menos que invista nas energias renováveis.
O potencial de criação de empregos na economia “verde” é “enorme” e mesmo “exponencial”, declarou em conferência de imprensa à margem da reunião dos ministros do Ambiente do G8 e dos grandes países emergentes.
“Ninguém se dá conta que hoje 2,2 milhões de empregos já dependem directamente da produção de energias renováveis e que este número equivale ao conjunto dos postos de trabalho nos sectores do petróleo, do gás e do carvão”, precisou.
Na Coreia do Sul, os investimentos na “economia verde” permitiram criar 350 mil empregos, nomeadamente para garantir o fornecimento de água potável à população e defender os ecossistemas.
Se a Europa e os outros países fizerem o mesmo, “isso permite-nos pensar que assistiríamos a uma explosão na criação de empregos no mundo”, disse.
Steiner ficou com a impressão de que o G8 de Siracusa “registou a mensagem de que a saída da crise económica far-se-á através dos investimentos no Ambiente”.
“Estamos num momento da História em que é preciso decidir se o nosso futuro vai ser cinzento ou verde”, acrescentou.

