Com 15,92 por cento da Amazónia brasileira, ou 79,7 milhões de hectares, abrangidos por áreas protegidas federais e estaduais, o Brasil já ultrapassou a meta de conservação de doze por cento definida em 2002 na Cimeira de Joanesburgo.
As percentagens fazem parte do mapa "Amazónia Brasileira 2006", lançado pela organização não governamental WWF-Brasil e pelo Instituto Sócio-Ambiental (ISA), revelou hoje a Agência Brasil – Radiobrás.
A meta foi atingida através da criação do programa Áreas Protegidas das Amazónia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Ambiente e implementado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com sete governos estaduais: Amazonas, Amapá, Acre, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantis.
O programa é financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que recebe donativos do Fundo Global para o Ambiente (GEF, na sigla em inglês).
Dos quase 80 milhões de hectares, 58,6 por cento são áreas protegidas federais – 28,4 por cento das quais são de protecção integral e 30,2 por cento de uso sustentável. Os 41,4 por cento referentes a áreas protegidas estaduais dividem-se em 7,8 por cento para protecção integral e 33,6 por cento para uso sustentável.
O mapa diz ainda que cerca de 170 povos, representando 250 mil pessoas, vivem em 389 terras indígenas na Amazónia, ou seja, em 105,3 milhões de hectares.
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem, na abertura do segmento ministerial da COP 8 da Convenção para a Diversidade Biológica, a decorrer em Curitiba, que a preservação da natureza depende principalmente da vontade política.
A conservação da biodiversidade "exige que os países desenvolvidos cumpram as suas promessas no âmbito da cooperação internacional", disse.
Para Lula da Silva, a democracia é o melhor caminho para uma partilha justa entre os países da defesa da biodiversidade mundial.
"As finanças, tecnologia e comércio podem levar a globalização o mais longe possível, mas cabe à democracia, com mais e mais participação social, evitar uma colisão constante entre as nossas necessidades e os nossos excessos", afirmou.


