Bragaparques: alegações finais do processo de corrupção adiadas para Janeiro

16.12.2008 - 14:42 Por Lusa
As alegações finais do julgamento do processo de corrupção contra o sócio-gerente da Bragaparques, Domingos Névoa, foram adiadas para Janeiro, depois de serem pedidos esclarecimentos sobre contradições encontradas nos depoimentos do arguido.
As alegações finais estavam agendadas para hoje, após a audição de testemunhas abonatórias de Domingos Névoa e de inspectores da Polícia Judiciária envolvidos na investigação da alegada tentativa de corrupção, denunciada por Ricardo Sá Fernandes em 2006.
O advogado acusou Domingos Névoa de o usar como intermediário para tentar subornar o irmão e vereador da câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, propondo-lhe o pagamento de 200 mil euros para que este desistisse de contestar o negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer com os da Feira Popular.
Na audiência de hoje, o assistente de Ricardo Sá Fernandes apontou "manifestas contradições" entre os depoimentos de Domingos Névoa prestados na fase de inquérito e na fase de julgamento, quanto aos primeiros contactos com o advogado.
Domingos Névoa "afirmou em julgamento que a iniciativa e as primeiras propostas foram concretizadas e realizadas por Ricardo Sá Fernandes entre Setembro e Outubro de 2005 quando em anteriores declarações apenas colocou cronologicamente a apresentação de tais propostas na primeira reunião que teve com o denunciante, em Janeiro de 2006 teria referido que o momento em que as propostas aconteceram se situou na primeira reunião que teve com Ricardo Sá Fernandes, em Janeiro de 2006", sublinhou.
Domingos Névoa esclareceu as contradições, argumentando que não se lembrava do que disse no primeiro interrogatório judicial, porque na altura estava "congelado" e "não estava em condições de esclarecer nada" porque tinha acabado de saber que lhe tinham montado uma armadilha.
O administrador da Bragaparques reafirmou que Ricardo Sá Fernandes lhe começou por pedir apoios antes das eleições autárquicas e que essas conversas - em que o advogado alegadamente lhe teria pedido 500 mil euros para ajudar a campanha do irmão, que era candidato à câmara de Lisboa - aconteceram em Setembro, Outubro e Novembro de 2005.
"O dr. Ricardo Sá Fernandes queria 'afiambrar' e eu andei sempre a fugir", declarou.
Também na sessão de hoje foram ouvidos testemunhas convocadas pela defesa de Névoa, que atestaram a seriedade, honestidade, generosidade e capacidade de trabalho do arguido.
Entre estas incluíam-se o juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Salreta Pereira, um administrador da Mundicenter (empresa ligada a centros comerciais), o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, e o padre Vítor Melícias, que presidiu a esta instituição durante 15 anos, e assinalou a prestação de Domingos Névoa como "agente solidário, uma pessoas que ajuda e ajudou várias instituições" e um "cidadão generoso".

