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Medicina

Bonecos e máquinas ajudam médicos internos a reparar aneurismas da aorta abdominal

27.06.2010 - 09:48 Por Romana Borja-Santos

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A experiência com a barriga aberta repete a técnica tradicional A experiência com a barriga aberta repete a técnica tradicional (Rui Gaudêncio (arquivo))
Simulação de cirurgias clássicas e endovasculares decorreu no Hospital de Santa Marta e terminou com algumas declarações de óbito.

Vários corpos abertos, dispostos em cima de mesas, são operados por médicos num bloco improvisado. A alguns doentes a operação é feita apenas a partir de dois furos nas virilhas. Alguns médicos não têm luvas, outros nem usam bata. Param para beber café ou comem um pastel de nata em cima dos pacientes e, quando fazem um corte fatal, sorriem e continuam a operar como se o doente não estivesse morto ou passam à cirurgia seguinte.

Cena de série televisiva de médicos ou de um manual de erros de Medicina? Não. É a primeira simulação do tratamento de aneurismas da aorta abdominal por via endovascular, isto é, através das virilhas. Decorreu anteontem no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. E permitiu que, de forma relaxada, os internos da especialidade de Cirurgia Vascular experimentassem, em máquinas e bonecos, esta técnica menos invasiva - a par com a cirurgia clássica (de "barriga aberta").

O aneurisma da aorta abdominal consiste numa dilatação semelhante a uma bolha localizada nesta que é a maior artéria do organismo e é o aneurisma arterial mais frequente. A sua ruptura é fatal em 75 por cento dos casos e apenas 50 por cento chegam vivos aos hospitais.

O Hospital de Santa Marta decidiu dar oportunidade aos internos deste e de outros hospitais de conhecerem melhor as duas possíveis cirurgias para estas situações, que passam pela instalação de uma prótese. Além de treinarem em bonecos a tradicional cirurgia de barriga aberta, os alunos puderam estrear, pela primeira vez no país, uma máquina que simula a cirurgia endovascular - uma técnica que já é executada pelos especialistas há dez anos nesta unidade e que já representa metade do total de 150 cirurgias anuais que aqui se realizam.

"É uma técnica que apareceu há 20 anos e que nós começámos há dez. Pretende ser menos invasiva e menos agressiva do ponto de vista biológico, o que é importante para doentes mais velhos" e com outras doenças associadas, explica ao PÚBLICO Luís Mota Capitão, director do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Marta e presidente do Simpósio Internacional de Cirurgia Vascular, onde se integrou esta iniciativa. Segundo o especialista, uma das vantagens é que a anestesia é menos agressiva e o tempo de internamento menor.

Mota Capitão assegura que esta técnica é mais fácil de dominar. O que se pode comprovar observando os internos: apesar de alguns terem perdido a prótese nesta técnica moderna, na cirurgia clássica houve alguns cortes acidentais das artérias renais e suturas mal feitas. Quando se abriram as torneiras de água que simulavam o sangue, foram vários os esguichos a molhar as batas e a levar os especialistas a dizer a alguns internos que se revelaram "maus costureiros".

Mota Capitão relembra que o ideal é prevenir ou detectar o aneurisma atempadamente. Visto que são, em geral, "assintomáticos", o médico afirma que muitos são detectados em ecografias feitas por outros motivos. E recorda alguns dos factores de risco para ir parar a um bloco: "Afecta sobretudo homens com mais de 60 anos de idade e que tenham na família pessoas com aneurismas da aorta. Depois, todos os factores de risco cardiovascular estão implicados, como o tabaco, dislipidemia, hipertensão, má alimentação ou uma vida de stress".

João Albuquerque e Castro, cirurgião vascular do mesmo hospital e coordenador da campanha Aorta É Vida, reforça também a importância do diagnóstico precoce, motivo pelo qual a doença está a ser divulgada junto dos médicos de família e da população mais velha. Sobre a importância das simulações exemplifica: "Os jovens aqui treinam em modelos que são quase perfeitos e sem o risco de estar a tratar pessoas. É como os pilotos de aviação. Lembram-se do piloto que amarou no rio Hudson e que já tinha simulado isso várias vezes?"

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Mais informações e videos sobre aorta abdminal

ola pessoal. gostei da matéria. tenho lido demais sobre este assunto. existe um caso na ...

Rodrigo

20.01.2011 18:27

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