Bombeiros chilenos dizem que Portugal gasta demasiada água a combater incêndios

30.08.2005 - 17:32 Por Lusa
Os bombeiros e técnicos chilenos que vieram a Portugal ajudar no combate aos incêndios concluíram que Portugal gasta demasiada água a apagar fogos quando devia apostar no desbaste da vegetação para impedir o avanço das chamas.
"Gasta-se demasiada água a combater os fogos em Portugal quando a aposta devia ser na utilização de ferramentas que destruam o combustível que faz propagar as chamas" afirmou Carlos Weber Bonte, director-geral da Corporação Nacional Florestal do Chile, lamentando que Portugal tenha abandonado.
O responsável falava no final da assinatura de um protocolo para o intercâmbio de bombeiros entre Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) e a autoridade chilena, ao abrigo do qual efectivos portugueses vão participar nas operações de combate a incêndios naquele país da América Latina.
A aposta nas técnicas de desbaste para combate às chamas é uma das principais conclusões do relatório elaborado pelas equipas chilenas que desde Julho combatem as chamas em Portugal e que hoje foi entregue ao presidente do SNBPC, Manuel João Ribeiro, e ao ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa.
Carlos Weber Bonte disse ainda que os incêndios em Portugal desenvolvem-se com muita violência e notou que há muitas habitações junto das áreas florestais, o que não sucede no Chile.
António Costa também criticou a proximidade entre a floresta e as habitações e adiantou que muitas vezes aquilo que é a riqueza das famílias acaba por ser a sua miséria.
O ministro lembrou uma lei do ano passado que obriga os municípios a manterem um perímetro limpo de cem metros em redor de todas as localidades, para evitar a propagação das chamas, lembrando que no caso dos proprietários esse perímetro deve ser de 50 metros em torno de cada habitação.
António Costa disse também que o cumprimento desta lei vai ser analisado a partir de Outubro.
Ainda sobre os incêndios que têm ocorrido em Portugal, o ministro referiu que já foi gasta a verba orçamentada para os combater – 50 milhões de euros – e que esse valor vai ser ultrapassado devido à necessidade de manter os meios aéreos activos até ao final da época de incêndios.
O protocolo assinado hoje visa o intercâmbio de experiências entre os dois países em matéria de extinção de fogos florestais, "especialmente nas vertentes de formação e de aplicação de técnicas de combate director". Já em Novembro vai partir para o Chile uma equipa heli-transportada, adiantou o governante.

