O bloco de partos do Hospital de Chaves encerra à meia-noite de quinta-feira, disse hoje fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. A partir desta data o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro conta apenas com um bloco de partos, instalado no Hospital de Vila Real.
No mesmo dia encerram também os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) - no período nocturno entre as 00h00 e as 08h00 - nos centros de saúde de Alijó, Murça e Vila Pouca de Aguiar, e o serviço de urgência do Hospital D. Luíz I, no Peso da Régua.
Com o encerramento do bloco de partos de Chaves, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, que agrega os hospitais de Vila Real, Peso da Régua, Chaves e Lamego, passa a dispor de um único bloco de partos, no Hospital de Vila Real.
As previsões para 2008 apontam para cerca de 2000 nascimentos em Vila Real. De acordo com dados, disponibilizados pelo Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, a maternidade de Vila Real encerra este ano com um registo de 1760 partos.
Em Chaves nasceram este ano 390 crianças, 60 por cento das quais através de cesariana, um número considerado como "inadmissível" pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, no decorrer de uma visita na semana passada àquela unidade hospitalar.
O encerramento do bloco de partos ocorre depois de estarem garantidas as condições de acessibilidades e de serviços pré-hospitalares prometidos, nomeadamente a conclusão da A24, entre Vila Real e Chaves, e a colocação de uma ambulância SIV, em Montalegre e de uma ambulância de suporte básico de vida, em Chaves. Entre Fevereiro e Março será também instalado um helicóptero em Macedo de Cavaleiros.
O presidente da Câmara de Chaves, o social-democrata João Baptista, já se manifestou totalmente contra o encerramento do bloco de partos pois considera que a "qualidade dos serviços tem intrínseca em si a proximidade".
Os SAP que vão encerrar são os únicos do distrito que até agora ainda funcionavam 24 horas por dia.
Cerca de 200 habitantes de Alijó saíram à rua no domingo, em protesto contra o encerramento nocturno do SAP, alertando ainda para a inexistência de uma ambulância do INEM no concelho e para a distância a percorrer até ao hospital mais próximo - 47 quilómetros até Vila Real.
O presidente da Câmara de Alijó, o socialista Artur Cascarejo, defendeu a "criação de uma urgência básica no concelho". De acordo com o autarca, também em Montalegre vai ser criada uma urgência básica e as justificações são, na sua opinião, as mesmas, ou seja, a distância ao hospital mais próximo.
O autarca sublinhou ainda que, com o encerramento de todas aquelas estruturas, o hospital de Vila Real poderá mesmo "entupir".
O responsável adiantou que a autarquia estudará parcerias "público-privadas", tendo em vista a criação de uma unidade hospitalar de qualidade no concelho, à semelhança dos hospitais privados que estão a ser construídos em Mirandela e Vila Real.
Também o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar (PSD), Domingos Dias, considerou "lamentável que por razões economicistas não se ouça a população" daquela região transmontana.
O autarca considera que o Ministério da Saúde, numa "atitude de prepotência", não apresentou qualquer medida compensatória dos serviços que agora esvazia", admitindo ainda que, a médio prazo, o SAP poderá encerrar mais cedo, às 22h00.
Uma urgência básica era também a reivindicação do município do Peso da Régua, que não foi atendida pelo Ministério da Saúde.
Em contrapartida ao encerramento da urgência, o ministério vai criar o sistema de consulta aberta no hospital de D. Luíz e implementar consultas de especialidade.
Também em funcionamento, desde 1 de Dezembro, está a ambulância SIV no Peso da Régua.
No entanto, o presidente da autarquia local, Nuno Gonçalves, considerou hoje que o encerramento da urgência "é uma decisão irresponsável e irreflectida que vai prejudicar os utentes" daquele hospital. O autarca defende que o sistema a implementar "não vai funcionar" porque, na sua opinião, vai "sobrecarregar os médicos do centro de saúde" da Régua.


