Os bispos esperam que a onda de violência que tem assaltado o país seja “passageira”, disse o ainda porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), em declarações aos jornalistas ao princípio da tarde de hoje. No final da reunião do conselho permanente da CEP, em Fátima, D. Carlos Azevedo admitiu a relação que as dificuldades económicas e sociais podem ter no aumento dos actos violentos, mas disse que a razão principal é a “crise profunda de princípios de vida” que se regista.
Os bispos falaram também do veto do Presidente da República à nova lei do divórcio, mas manifestando-se apenas preocupados com o que consideram a fragilização da família, “instituição fundamental para o bem-estar da sociedade”, através de algumas leis.
Em relação a dossiers pendentes com o Governo, o bispo manifestou o optimismo com as negociações que têm decorrido. Assistência religiosa nos hospitais e nas prisões e instituições de solidariedade social são alguns dos temas que, desde há um ano, têm provocado alguma tensão entre a hierarquia católica e o Governo.
No caso das prisões tem havido mais dificuldade em nomear assistentes religiosos, uma vez que ainda não há regras de acordo com a nova Concordata entre Portugal e o Vaticano. Já no que respeita aos assistentes religiosos nos hospitais, há um novo diploma a caminho da comissão da Liberdade Religiosa, após o que passará a plenário de secretários de Estado, antes de ser aprovado pelo Governo. Houve cedências de parte a parte, disse Carlos Azevedo.
No caso das instituições de solidariedade social, o bispo defendeu que “o apoio do Estado deve ser cada vez mais atenuado, para que haja liberdade e autonomia” das IPSS católicas. “Durante algum tempo houve demasiada dependência do Estado”, afirmou o ainda porta-voz da Conferência Episcopal, que no final deste mês deixa o cargo, passando-o ao padre jesuíta Manuel Morujão.
Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, Carlos Azevedo é, nessa qualidade, o principal responsável pelo Congresso da Pastoral Social, que esta manhã se iniciou também em Fátima – decorre até à próxima quinta-feira. Nesta iniciativa, a identidade das instituições sociais católicas esteve no centro dos primeiros debates.
A prática da caridade cristã está demasiado centrada nos apoios que são recebidos do Estado, afirmou o bispo. “As comunidades cristãs devem entender que as suas organizações têm que ser sustentadas também pela comunidade, pelo menos em parte”, defendeu ainda Carlos Azevedo. “A questão da identidade dessas instituições é importante. Elas devem ter uma identidade e uma qualidade ao melhor nível técnico.”


