O aborto, a crise social que atravessa o país e a procriação medicamente assistida serão alguns dos temas a abordar na assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que a partir de hoje decorre em Fátima.
Na intervenção que fará no início dos trabalhos, o presidente da CEP e arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, deverá referir-se à questão do aborto e à situação social que Portugal vive actualmente - despedimentos, greves, fechos de fábricas.
Já a procriação medicamente assistida será um dos temas da agenda prevista para a assembleia e deverá dar origem a uma nota pastoral dos bispos sobre o assunto. O documento poderá ser divulgado no final dos trabalhos, quinta-feira, segundo disse ao PÚBLICO o porta-voz da CEP, D. Carlos Azevedo.
Um outro tema a debater serão os modos de transmissão da fé na família, na escola e na universidade. Este faz parte de um itinerário para três anos, que a actual presidência da CEP assumiu. No final do actual mandato, poderá haver um texto com normas orientadoras sobre o assunto, abarcando modelos de formação nos diversos âmbitos da vida da Igreja.
Um dos temas que podem originar mais debate interno é o da discussão sobre o actual modelo de ensino da Teologia em Portugal. Há três centros da Faculdade de Teologia em Lisboa, Porto e Braga; há ainda três institutos superiores em Viseu, Coimbra e Évora; e um seminário autónomo, em Angra do Heroísmo.
Para adaptar o ensino ao Processo de Bolonha, o curso foi reformulado para três anos de licenciatura e dois de mestrado. Agora, os bispos terão que optar: manter os institutos superiores, que não podem fazer mestrados, enviando os alunos nos dois últimos anos para um dos centros da faculdade; ou transformar os institutos em politécnicos, integrando o mestrado. Há outro problema de fundo, admite Carlos Azevedo: "Temos que pensar que centros teológicos queremos, se temos professores para todos eles". O facto de várias das escolas estarem em zonas muito próximas - Braga, Porto, Viseu e Coimbra, no Norte; Lisboa e Évora, no Sul - pode levar os bispos a optar por acabar com algumas delas. "Temos que apostar em centros de qualidade, continuando a formar o clero, os leigos e os professores, mesmo não tendo ensino em todas as dioceses", diz Carlos Azevedo.
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