Birmânia: Governo distribui ajuda externa mas põe nomes de generais nas caixas 
11.05.2008 - 09:08 Por Lusa
A Junta Militar da Birmânia distribuiu hoje mantimentos e bens de primeira necessidade enviados por organizações internacionais, mas embalou as caixas com fitas adesivas onde constavam os nomes dos principais generais do regime.
Os militares, que comandam o país desde 1962, aproveitaram o esforço internacional para fazer propaganda política do governo. A televisão estatal está a divulgar, de forma quase contínua, imagens dos generais, incluindo do líder da Junta Militar, general Than Shwe, a entregarem caixas de mantimentos aos sobreviventes do ciclone Nargis, que no último fim-de-semana devastou o Sul da Birmânia.
“Vimos os comandantes regionais a colocarem os seus nomes nas caixas que transportavam a ajuda vinda da Ásia, afirmando que era um presente deles e que eles é que estavam a distribuir na região”, denunciou Mark Farmaner, director da Campanha Burma (Reino Unido), organização que promove os direitos humanos e os ideais da democracia.
Numa dessas caixas, o nome do general Myint Swe, nome proeminente da hierarquia governamental, aparecia em destaque, cobrindo um rótulo mais pequeno onde constava a frase: “Ajuda do governo da Tailândia”.
Um milhão de afectados
Uma semana depois da passagem do ciclone, a ajuda de emergência continua a chegar, mas a conta-gotas, dadas as restrições impostas pela Junta Militar, como a exigência de que seja o Exército – e não os funcionários estrangeiros das organizações – a distribuir a ajuda.
A par destes acontecimentos, o regime confiscou hoje mais dois carregamentos das Nações Unidas que chegaram por avião, informou o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU. O PAM já tinha tido dois carregamentos apreendidos na sexta-feira à chegada a Rangum.
“A situação (destas chegadas) é semelhante à das outras duas”, informou um porta-voz do PAM, Marcus Prior. Segundo o porta-voz da ONU em Banguecoque, Richard Horsey, cerca de um milhão de pessoas foram afectadas pela passagem do ciclone Nargis, e mais de metade ainda não recebeu qualquer ajuda humanitária.
De acordo com o último balanço oficial, o ciclone Nargis que afectou a região do delta do rio Irrawaddy, no sul da Birmânia, no fim-de-semana passado, fez 23 mil mortos e mais de 42 mil desaparecidos, mas vários diplomatas estrangeiros no país admitiram que o balanço pode muito bem ultrapassar os 100 mil mortos.
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