Birmânia deixa entrar equipa de cem médicos asiáticos para ajudar vítimas do ciclone

17.05.2008 - 10:37 Por AFP
A Junta Militar birmanesa deixou entrar hoje uma equipa de médicos asiáticos e levou diplomatas estrangeiros aos locais devastados pelo ciclone Nargis, que fez mais de 133 mil mortos e desaparecidos. Um navio da Marinha francesa chegou hoje à costa da Birmânia com ajuda.
O grupo de cem médicos e enfermeiros asiáticos, já na Birmânia, torna-se o maior grupo de especialistas estrangeiros autorizados a levar ajuda aos cerca de dois milhões de afectados pelo ciclone. A maioria ainda não recebeu qualquer ajuda.
Sinal tímido de abertura pelo regime, pela primeira vez a Junta levou diplomatas e representantes da ONU, por helicóptero, às zonas do delta do Irrawaddy, devastadas pelo ciclone, a 2 de Maio.
“Não nos mostraram a figura completa”, comentou Chris Kaye, director local do Programa Alimentar Mundial da ONU.
O “Mistral” está ao largo da Birmânia
O “Mistral”, navio da Marinha francesa, está já ao largo da Birmânia mas ainda não há acordo para as mil toneladas de ajuda humanitária que transporta, segundo o Estado-maior do Exército francês.
Jean-Maurice Ripert, o embaixador de França na ONU, disse ontem que reagiu criticamente quando o representante da Birmânia lamentou que Paris tivesse enviado “um navio de guerra”.
Ripert apelou a uma acção mais enérgica das Nações Unidas, a fim de convencer a Birmânia a deixar entrar a ajuda internacional. “Disse que o que se está a passar é inadmissível, que a ajuda não está a chegar e que estão a morrer pessoas”, acusou.
Com 77.738 de mortos e 55.917 desaparecidos, a comunidade internacional receia uma “segunda catástrofe” e tenta, graças à mediação dos asiáticos, fazer vingar a sua posição junto do regime birmanês.
Deve ser imposta “toda a pressão, todos os meios retóricos e diplomáticos devem ser utilizados para levá-los a compreender que devem ajudar-nos a ajudar”, comentou ontem o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, que regressou de Rangum.
O responsável da ONU pelos Assuntos Humanitários, John Holmes, deverá chegar à Birmânia amanhã.

