Um vigoroso apelo à paz e à reconciliação dos africanos marcou ontem a homilia da missa celebrada pelo Papa Bento XVI na periferia de Luanda. No final, já na oração do meio-dia, o Papa pediu “aos homens e mulheres do mundo inteiro” que voltem “o seu olhar para África, para este grande continente, tão rico de esperança mas ainda tão sedento de justiça, paz e desenvolvimento”.
Denunciando a guerra que “destrói valores como a família”, Bento XVI disse que “várias gerações acabam por sofrer” as consequências dos conflitos. “As nuvens do mal obscureceram tragicamente também a África, incluindo esta amada nação angolana”, afirmou, durante a sua homilia, que durou 15 minutos. A guerra civil angolana terminou há sete anos.
Sintetizando algumas ideias desta sua primeira viagem africana, que hoje termina, o Papa afirmou: “Pensemos no flagelo da guerra, nos frutos terríveis do tribalismo e das rivalidades étnicas, na avidez que corrompe o coração do homem, reduz à escravidão os pobres e priva as gerações futuras dos recursos de que terão necessidade para criar uma sociedade mais solidária e justa, uma sociedade autenticamente africana.”
Na linha de outras preocupações suas, Bento XVI perguntou ainda: “Que dizer do insidioso espírito de egoísmo que fecha os indivíduos em si mesmos, divide as famílias (...) conduz ao hedonismo, à fuga para falsas utopias através do uso da droga, à irresponsabilidade sexual, à eliminação de vidas humanas inocentes por meio do aborto...?”
O Papa agradeceu ainda as “gerações de missionários” que contribuem “para o desenvolvimento espiritual e humano” de Angola, disse que a Igreja está chamada a ser “sinal de unidade” e disse que os jovens não devem ter “medo, ainda que isso signifique ser sinal de contradição”.


