Bento XVI mobiliza 800 mil jovens e condena totalitarismos

21.08.2005 - 07:55 Por António Marujo, PÚBLICO, Marienfeld
Desde manhã, comboios, autocarros, bicicletas e os próprios pés - tudo serviu a centenas de milhares de jovens para se encaminharem para o parque de Marienfeld, a 25 quilómetros de Colónia (Alemanha), onde hoje termina a XX Jornada Mundial da Juventude, presidida pelo Papa Bento XVI.
Na homilia, o Papa disse que se pode "criticar muito a Igreja", que "só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo" e condenou os totalitarismos do século XX.
Para muitos, a catedral gótica de Colónia, dos poucos edifícios que sobreviveram aos bombardeamentos da II Guerra Mundial, era o lugar eleito para a partida. Às duas da tarde já Marienfeld estava cheio e os peregrinos continuavam a surgir em ondas humanas que se viam a chegar de todas as direcções. À noite as agências noticiosas estimavam em 800 mil o número de participantes.
A festa começou cedo a animar: bandas de música, cantos, danças, fotos de recordação, sacos-cama que se estendiam no chão a marcar terreno para a noite fresca que se adivinhava, bandeiras - são às centenas, os símbolos nacionais neste mar universal de quase 200 países.
No gigantesco prado, onde a chuva da véspera criara bolsas de lama, comia-se a ração de peregrino antes distribuída, dormiam-se pequenas sestas, procurava-se o melhor sítio para ver e aclamar o Papa quando este chegasse.
Muitos terão ficado frustrados: pouco antes de Bento XVI dar entrada no recinto onde decorreria a vigília, o som falhou e o Papa entrou em Marienfeld num anticlímax: só os que estavam perto o perceberam. Ao longe tentava-se adivinhar o que acontecia, as ruas que deveriam ficar livres como medida de segurança ficavam repletas de jovens.
A aclamação maior foi quando Bento XVI subiu ao altar. Os aplausos repetiram-se em diversas passagens da homilia, lida em alemão, inglês, francês, espanhol e italiano. Numa das passagens, o Papa referiu-se ao seu antecessor, João Paulo II, e um clamor tomou conta do campo. "Ele está connosco nos corações", acrescentou Bento XVI.
O altar, encimado por uma nuvem, estava rodeado de velas, que se multiplicaram pelos participantes. Houve música, testemunhos, orações e números de malabarismo.
O Papa referiu-se ao poder de Deus, que não se confunde com o "dos grandes do mundo", antes se "opõe à injustiça" e deve converter as pessoas em sujeitos "de verdade, do direito, da bondade, do perdão, da misericórdia". No mesmo contexto referiu as revoluções do século XX, que não esperaram "nada de Deus" e se converteram em "totalitarismos". "Vimos que deste modo um ponto de vista humano e parcial foi tomado como critério absoluto de orientação". E isso "não liberta o homem, mas priva-o da sua dignidade e escraviza-o".

