Segurança alimentar

Bebidas de leite chinês à venda em Portugal apesar de a ASAE ter garantido o contrário

26.09.2008 - 07:23 Por Lusa, Andrea Cunha Freitas, Aníbal Rodrigues

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"Drink milk" é apenas o que percebe na embalagem de um dos produtos comprados ontem pelo PÚBLICO "Drink milk" é apenas o que percebe na embalagem de um dos produtos comprados ontem pelo PÚBLICO (Paulo Pimenta/PÚBLICO)
Num supermercado chinês, no Porto, o PÚBLICO comprou ontem bebidas de leite chinesas, apesar de, em 2002, a União Europeia ter decretado um embargo a estes produtos e de a ASAE ter assegurado não existirem à venda este tipo de produtos. Uma garantia que surgiu após a contaminação de leite ocorrida na China, que já matou quatro bebés e intoxicou outros 53 mil.

No supermercado Chen, na Praça da República, uma lata de bebida de leite, com 245 ml, custou 80 cêntimos e uma embalagem que a funcionária indicou tratar-se de iogurtes líquidos (apesar de ser uma bebida de leite enriquecido) incluía quatro garrafas plásticas de 220 ml cada e custou 1,85 euros.

Os dois produtos não possuíam descrição em português, como a lei impõe, e os supostos iogurtes estavam fora do prazo de validade. Nos sites das duas empresas chinesas foi possível saber mais, uma vez que dispõem de informação em inglês. A bebida de leite de 245 ml chama-se Hot-Kid Milk e é descrita como o primeiro leite que na China incorpora DHA que, segundo o produtor, promove o crescimento das células cerebrais e retarda o seu envelhecimento.

Já o que fora indicado como iogurte é outra bebida de leite, conforme a informação constante no site do produtor. Chama-se Wahaha Calcium Milk e é enriquecido com Va e Vd, componentes que o produtor refere melhorarem a absorção do cálcio, que, por sua vez, "promove o crescimento e o desenvolvimento das crianças".

Ontem, já de noite, o proprietário do supermercado, disse ao PÚBLICO, sob anonimato, que já tinha colocado todas as embalagens destes produtos no lixo.

Sem dominar o português, explicou, através de um familiar, que comprara no dia anterior apenas uma caixa destes artigos para "experimentar". Disse que habitualmente vende outro tipo de produtos como cereais mas que fora abordado no estabelecimento por um fornecedor espanhol que lhe propôs a compra.

Um outro supermercado chinês, em Lisboa, também chegou a ter à venda estas bebidas lácteas. Mas, segundo o seu proprietário recebeu há alguns dias, uma mensagem do fornecedor francês que lhas vendera, avisando-o de que as deveria destruir . O que, segundo esta mesma fonte, aconteceu.

Estes factos contrariam o que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) disse ontem. Em comunicado, ao final da tarde, confirmou que "a importação de leite e produtos lácteos provenientes da China é proibida na União Europeia desde 2002" motivado por insuficiência de controlo. Mas adiantou que "não possui actualmente qualquer evidência de que possam ter ocorrido exportações ilegais para Portugal de produtos lácteos provenientes daquele país", acrescentando que "tem vindo a acompanhar a situação com todo o rigor, tendo desencadeado medidas reforçadas de controlo de mercado".

A ASAE promete ainda aumentar o controlo se o mesmo for ordenado pela UE e a sua direcção científica encontra-se a efectuar uma avaliação do risco associado à ingestão de produtos lácteos contaminados com melamina, em estreita colaboração com a EFSA - Agência Europeia de Segurança Alimentar.

A Comissão Europeia pediu ontem aos seus 27 Estados membros uma restrição às importações da China de bolachas, leite, chocolates ou qualquer outro produto que tenha leite em pó na sua composição. E pediu que testem todos os alimentos vindos deste país que contenham mais de 15 por cento de leite em pó.

Escândalo deplorável

A contaminação com melamina também levou ontem à demissão do ministro da Saúde em Taiwan por ter autorizado a importação de leite suspeito. Numa declaração conjunta, a Organização Mundial de Saúde e a Unicef já classificaram o escândalo do leite como deplorável.

As medidas propostas ontem pela UE surgem na sequência do relatório da EFSA que referia que se uma criança comesse grandes quantidades de bolachas e doces contaminados existia a hipótese teórica de ultrapassar as doses de segurança deste químico. Algo que só poderia acontecer no pior dos cenários, dizem os peritos, sublinhando que uma criança que consuma uma quantidade moderada (média) destes produtos com leite em pó contaminado não corre qualquer risco. com Dulce Neto

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hipocrisia

É o que dá dar opinião a quem não sabe cultivá-la. Muitos passam a vida a queixar-se, mas aqui ...

Miguel

26.09.2008 14:59

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