BE diz que alteração de dados "é gravíssima" e pede esclarecimentos urgentes ao Governo

01.08.2009 - 20:36 Por Lusa
O Bloco de Esquerda considerou hoje "da maior gravidade" a alteração de dados sobre área florestal ardida referida num relatório da GNR, considerando que o Governo tem de esclarecer todo este processo.
"É uma situação da maior gravidade, que aponta para um falseamento da informação que tem servido de base à avaliação do sistema e do dispositivo de protecção da floresta face aos incêndios", disse hoje à Lusa Alda Macedo.
No relatório da Guarda Nacional Republicana (GNR) "Operação Floresta Segura 2008", a que a agência Lusa teve acesso, refere-se que dados da área ardida, inscritos no Sistema de Gestão de Informação dos Incêndios Florestais (SGIF), foram alterados em 2007 e 2008 "por desconhecidos".
De acordo com o relatório, durante a "campanha de 2007 vários oficiais de ligação nos Comandos Distritais de Operações de Socorro informaram que os dados carregados pelas Equipas de Manutenção e Exploração de Informação Florestal (EMEIF) apareciam alterados por desconhecidos" no SGIF.
No relatório da GNR lê-se, também, que a "Autoridade Florestal Nacional tentou substituir ocorrências no SGIF, passando-as para queimadas".
"Saber-se que existe esta discrepância e que a Autoridade Nacional terá alterado dados e informação sobre áreas ardidas e mesmo tipologias de ocorrências em relação aos fogos de 2007 e 2008 é da maior gravidade e o Governo tem de esclarecer todo este processo", sublinhou a deputada bloquista.
Para Alda Macedo, "é preciso ter a certeza de que estes dados oficiais sobre a floresta, e já agora sobre qualquer outra matéria, como as mortes nas estradas, são inteiramente fiáveis e que não existem os 'desconhecidos' a que se refere a GNR que podem alterar valores e dados para dar essa imagem cor-de-rosa do país".
O porta-voz do comando-geral da GNR esclareceu hoje que a alteração de dados no Sistema de Gestão de Informação sobre incêndios é uma "harmonização de processos" e não serve para esconder coisa alguma.
O porta-voz, tenente-coronel Costa Lima, explicou que "há alturas em que os números inseridos pela primeira vez são inferiores à realidade e outras vezes superiores", pelo que por vezes "é necessário algumas entidades corrigirem a primeira contabilização: tanto para mais como para menos. É uma harmonização de processos".
Alda Macedo considera "muito estranha" a posição assumida hoje pelo porta-voz da GNR e mantém que o Governo tem de explicar o que se passou.
"É uma trapalhada, na verdade. Resta saber se as correcções feitas agora são fidedignas. Isto é tudo muito estranho. Faz-me lembrar os dados dos centros de emprego e formação profissional sobre o desemprego, que não levam em conta todos os valores, como o dos imigrantes e dos desistentes, e dão uma falsa ideia sobre o que é a criação de emprego no país", disse.
"Este discurso [da GNR] sobre harmomização não me tranquiliza. O governo tem de esclarecer com certeza e rigor o que foi alterado, por que foi alterado e o que corresponde à verdadeira dimensão dos fogos florestais", exortou.

