Bastonário nota que médicos não podem ser obrigados a vacinar-se contra gripe A

26.10.2009 - 14:27 Por Lusa
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, afirmou hoje que os médicos que não quiserem receber a vacina contra a gripe A não podem ser obrigados e recusou responder, “por uma questão de princípios”, se será vacinado.
“Os médicos são cidadãos como os outros e, por conseguinte, não podem ser obrigados a fazer uma terapêutica se assim não o entenderem”, disse. No entanto, admitiu que os clínicos “não têm nenhuma razão científica” para recusar a vacina. “Toda a evidência científica que possuímos é que a vacina é útil, sem riscos ou pelo menos com o risco normal de qualquer vacina”, declarou o bastonário dos médicos.
À margem da apresentação da Fundação Portuguesa do Pulmão, que hoje decorreu num hotel em Lisboa, Pedro Nunes recusou ainda responder se será vacinado, dizendo que “por uma questão de princípio” não responde a perguntas “de natureza pessoal”, escusando-se ainda a comparações com o director-geral de Saúde, Francisco George, que hoje foi publicamente vacinado.
Pedro Nunes disse também que o cargo de bastonário não o coloca entre os grupos prioritários e que, se tal acontecesse, teria “muito gosto” em ceder a sua vacina a quem dela efectivamente precisasse, como os doentes crónicos.
“A minha preocupação é com os doentes com patologias crónicas (...) que são para mim mais prioritários do que um agente político que está em boa saúde física que não tem medo desta gripe”, afirmou.
Questionado se critica a inclusão de titulares de órgãos de soberania, como os deputados, nos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe A, Pedro Nunes respondeu: “Interprete as minhas palavras como entender. A definição das prioridades tanto quanto sei foi feita a nível transnacional, não quero estar a introduzir ruído neste sistema”.
O pneumologista Teles de Araújo, responsável pelo quinto relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, hoje apresentado, disse aos jornalistas que “não é previsível” que a pandemia da gripe A tenha fortes repercussões ao nível das doenças respiratórias, pelo menos não mais do que uma comum gripe sazonal.
O bastonário da Ordem dos Médicos criticou ainda as empresas que não permitem aos seus trabalhadores com sintomas de gripe apresentar-se no emprego sem um atestado que confirme que não estão infectados com o vírus da gripe A.
“Infelizmente, a asneira em Portugal não é proibida constitucionalmente e portanto é totalmente livre e toda a gente faz os maiores disparates. Acho um absoluto absurdo a exigência de uma declaração dessa natureza a um cidadão”, declarou Pedro Nunes que acrescentou que “é preciso perguntar a essas empresas se têm o mesmo comportamento com a gripe sazonal”.
“Não podemos perder a dimensão do real. O país não pode subitamente perder o bom senso”, concluiu.
A campanha de vacinação contra a gripe A começou hoje junto dos grupos prioritários - grávidas com patologia, profissionais de saúde, profissionais de sectores essenciais ao normal funcionamento da sociedade e titulares de órgãos de soberania.

