Barragem do Sabor: Tribunal vai analisar validade da Declaração de Impacte Ambiental

07.11.2009 - 15:12 Por Lusa
A Plataforma Sabor Livre (PSL) anunciou ontem que o Supremo Tribunal Administrativo vai analisar a validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem do Baixo Sabor, dando seguimento à providência cautelar apresentada pelos ambientalistas.
De acordo com o movimento constituído por várias associações ambientalistas contra a barragem do Sabor, “a EDP tentou evitar a análise da providência cautelar apresentada pela PSL, mas o tribunal veio agora recusar o recurso” da empresa.
A Plataforma “lamenta que a análise do recurso tenha sido tão morosa, com as obras a continuar no terreno, consumando o facto antes do tribunal se pronunciar”.
A providência cautelar foi apresentada pela PSL há quase um ano, em Dezembro de 2008, e as obras da barragem, em construção no Nordeste Transmontano, ainda chegaram a estar suspensas.
O Ministério do Ambiente entregou no tribunal uma resolução fundamentada “a evocar razões de interesse público para dar continuidade à construção da barragem”, e as obras foram retomadas.
Também a EDP contestou a providência cautelar, mas o tribunal, de acordo com a PSL, não atendeu as pretensões da concessionária da hidroeléctrica e vai analisar judicialmente a argumentação dos ambientalistas, sem que isso implique a suspensão das obras.
Os ambientalistas pretendem a suspensão da eficácia da prorrogação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), que autoriza a construção do empreendimento. A PSL entende que a DIA, emitida em 2004 e que autoriza todos os actos relativos à barragem, caducou em 2008 e que o Ministério do Ambiente não podia tê-la prorrogado por mais um ano, até 2009.
O Supremo Tribunal Administrativo vai agora analisar a argumentação das partes envolvidas.
A PSL apresentou nos últimos anos queixas e diligências judiciais em várias instâncias portuguesas e europeias contra a barragem do Baixo Sabor.
O Tribunal Europeu rejeitou, em Setembro, um recurso e pedido de indemnização da Plataforma, confirmando a decisão da Comissão Europeia de arquivar, em 2007, as queixas apresentadas contra o Estado português.
O processo da barragem do Baixo Sabor esteve suspenso durante uma década devido a entraves e estudos ambientais.
O projecto recebeu luz verde em 2004, mas só avançou depois de conhecido o arquivamento do procedimento contra Portugal por parte de Bruxelas.
A obra daquela que foi apelidada pelo Governo da “mãe de todas as barragens” começou há um ano e prevê-se que esteja concluído num prazo de cinco anos.

