Os utentes do Centro de Saúde de Valença não desarmam e começaram ontem a colocar as primeiras bandeiras espanholas nas casas e estabelecimentos comerciais, sobretudo no interior da fortaleza.
Esta forma de protesto contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) deverá estender-se hoje à parte nova da cidade, já que a comissão de utentes conseguiu reunir cerca de mil bandeiras, ao mesmo tempo que algumas lojas reforçaram os stocks para dar resposta à inesperada procura.
A acção assume-se também, ainda que de forma simbólica, como um gesto de agradecimento ao alcaide de Tui, na Galiza, pela total disponibilidade que demonstrou para tratar os doentes portugueses, após o encerramento do SAP. O alcaide disponibilizou todo o apoio do Centro de Saúde de Tui, que fica a menos de cinco minutos e onde não se pagam taxas moderadoras. Demonstrou até a intenção de reforçar o pessoal médico e de enfermagem se a afluência de doentes portugueses o justificar.
Segundo números avançados pelo diário galego Faro de Vigo, antes do fecho do SAP de Valença já iam a Tui, em média, três portugueses por dia. "Agora a tendência é, naturalmente, para aumentar. Em Tui é melhor, mais barato e mais perto. Basta termos o cartão europeu de saúde para sermos atendidos", sublinha o porta-voz dos utentes, Carlos Natal.
O SAP fechou no passado dia 28 à meia-noite, sendo substituído por uma consulta aberta, que funciona das 8h00 às 24h00. O Governo já garantiu que o encerramento é para manter, decisão que justificou com a reduzida afluência de doentes durante o período nocturno. Mas Natal considera que este argumento é "uma completa falácia".
"O Governo fala numa média de 1,7 utentes por noite quando, na verdade, em 2009, foram atendidas, em média, 17 pessoas nas urgências de Valença. Alguém se lembrou de meter, deliberadamente, uma vírgula no meio", critica.
Além da colocação de mais bandeiras por toda a cidade, os protestos de hoje incluem também uma nova marcha lenta, cujo percurso não estava ontem ainda definido.


