Ban Ki-moon diz que produção de alimentos tem de aumentar em 50 por cento até 2030

03.06.2008 - 10:20 Por Lusa
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu hoje na cimeira da FAO, em Roma, que o mundo tem de aumentar a produção de alimentos em 50 por cento até 2030 para fazer face à procura crescente.
O responsável discursava na cimeira promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que decorre até quinta-feira, para tentar encontrar uma primeira resposta coordenada para o problema que ameaça aumentar a fome no mundo.
Ban Ki-moon disse perante cerca de 50 chefes de Estado e de Governo que os países têm de minimizar as restrições à exportação e os impostos sobre as importações para aliviar a crise do preço dos alimentos que tem provocado a fome e motins em vários países.
Pediu também aos países participantes na cimeira para não se "deixarem tentar por políticas alimentares que empobreçam os [países] vizinhos".
O Presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, abriu esta cimeira sobre Segurança Alimentar, durante a qual os líderes analisarão os efeitos da espiral do aumento de preços dos produtos agrícolas e os efeitos das alterações climáticas na segurança alimentar.
Napolitano diz que não se pode confiar na capacidade de reequilíbrio do mercado
Napolitano afirmou que para superar a actual "crise dramática" de aumento do preço dos produtos alimentares e garantir uma perspectiva de segurança alimentar não se pode confiar na capacidade de reequilibro do mercado.
"O carácter dramático da crise não pode ser ignorado por ninguém, bem como as consequências para os países pobres". Saudando a "forte participação dos chefes de Estado e de Governo", o Presidente italiano sublinhou a necessidade de "intervenções no quadro do sistema da ONU para fazer face à crise".
Nesta reunião, Portugal está representado pelo ministro da Agricultura português, Jaime Silva.
Para o director-geral da FAO, Jacques Diouf, a única forma de sair da crise é aumentar a produção agrícola, sobretudo nos países mais pobres, nomeadamente através do aumento das ajudas financeiras prestadas pelos estados ricos, que deverão atingir os 30 mil milhões de dólares por ano.
Papa diz que fome e destruição são "inaceitáveis" num mundo "com recursos suficientes"
"A fome e a desnutrição são inaceitáveis num mundo que dispões em realidade de níveis de produção, de recursos e de conhecimentos suficientes para pôr termo a este tipo de dramas e às suas consequências", declarou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que leu a mensagem enviada hoje pelo Papa Bento XVI aos líderes mundiais na cimeira da FAO.
O Papa também convidou para a "mundanização da solidariedade".
Na mensagem, Bento XVI afirma que milhões de pessoas estão com os olhos postos nos líderes mundiais para que encontrem soluções enquanto a segurança da sua própria sobrevivência e dos países a que pertencem estão em risco.

