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Último dia para quebrar impasse na conferência sobre o clima

Bali: UE e EUA em braço-de-ferro na recta final

14.12.2007 - 09:17 Por Ricardo Garcia, em Bali

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Al Gore apontou os EUA como culpados pelo bloqueio do processo negocial Al Gore apontou os EUA como culpados pelo bloqueio do processo negocial (Reuters)
De um lado, Al Gore num plenário repleto de delegados e jornalistas, a rebentar pelas costuras. Do outro, 40 negociadores numa sala menor. Enquanto o ex-vice-presidente norte-americano repetia que vivemos "uma crise planetária" e que é preciso agir já, os negociadores procuravam desatar os nós que impediam um acordo na conferência climática da ONU, que termina hoje em Bali.

Às 4h30 de hoje, aqui em Bali (20h30 de ontem em Lisboa), as negociações foram interrompidas, ainda com pontos centrais em aberto. O objectivo da conferência da ONU é traçar um roteiro que lance as negociações de um novo tratado para conter o aquecimento global.

Mas, ao longo do dia de ontem, os Estados Unidos e a União Europeia protagonizaram um braço-de-ferro sobre a inclusão ou não de metas indicativas de redução de emissões de gases com efeito de estufa dos países desenvolvidos, até 2020.

A UE confessou-se "decepcionada" com a recusa norte-americana à inclusão de números no roteiro. E disse que boicotaria uma reunião paralela promovida pelos Estados Unidos para discutir o aquecimento global, no final de Janeiro, no Havai, caso não houvesse um acordo em Bali.

A reunião do Havai está integrada numa iniciativa de George W.Bush para discutir, só entre as maiores economias do mundo, soluções contra as alterações climáticas. Envolve, além dos EUA, outros 15 países - Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Coreia do Sul, África do Sul e Reino Unido - mais a União Europeia e as Nações Unidas.

Havai só se houver acordo

Para a UE, a iniciativa de Bush só pode alimentar um processo negocial no âmbito das Nações Unidas. Por isso, terá de levar em conta o roteiro acordado na conferência de Bali. "Se falharmos em Bali, deixará de fazer sentido uma reunião das maiores economias", disse o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, numa conferência de imprensa, falando em nome da presidência da UE.

O comissário europeu do Ambiente, Stavros Dimas, já tinha dito o mesmo, horas antes, num evento paralelo em Bali, perante a subsecretária norte-americana para os Assuntos Globais, Paula Dobriansky, chefe da delegação norte-americana.

"No próximo ano, vamos ter muitas reuniões no quadro das Nações Unidas. Gastar tempo noutros encontros, processos e diálogos vai-nos tomar a atenção", afirmou Stavros Dimas.

Para os Estados Unidos, porém, a força de bloqueio era a própria UE. "Sugerir que é possível encontrar uma métrica no momento em que se estão a iniciar as negociações, isto é que é, em si, uma tentativa de bloqueio", disse James Connaughton, o principal conselheiro ambiental de George W. Bush.

Al Gore, Prémio Nobel da Paz pela sua contribuição para o combate ao aquecimento global, voltou a apontar o dedo à Administração Bush. "O meu próprio país, os Estados Unidos da América, é o responsável pelo bloqueio do processo aqui em Bali", afirmou, perante aplausos de centenas de pessoas, no mesmo centro de convenções onde decorre a conferência da ONU.

Al Gore sugeriu que, caso não houvesse acordo dos EUA em Bali, os demais países deviam avançar com o processo de qualquer forma. O roteiro de Bali ficaria com um grande espaço em branco, mas Al Gore sugeriu uma nota de rodapé: "Este documento está incompleto, mas nós vamos por diante assim mesmo, na esperança de que esse branco seja preenchido."

O processo negocial a lançar em Bali tem um prazo até 2009 para ser concluído. Antes disso, há eleições nos Estados Unidos. "Dentro de um ano e 40 dias a contar de hoje", lembrou Al Gore.

O ex-vice-presidente norte-americano sugeriu que um novo acordo climático deveria entrar em vigor em 2010, dois anos antes do fim do primeiro prazo de cumprimento do Protocolo de Quioto, que obriga os países desenvolvidos a reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa em cinco por cento, relativamente a níveis de 1990.

"Não podemos esperar cinco anos para substituir o que está no Protocolo de Quioto", disse Al Gore.

Activista norueguês: Um cowboy nórdico em Bali com uma corda para Bush

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Mundo: Al Gore acusa EUA de bloquearem acordo em Bali

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Braço de ferro

Para que estão com estas noticias? A UE eos seus lacaios vão ceder aos USA. Podemos até passar já ...

JB

15.12.2007 08:51

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