Aveiro: Líder concelhio do PS defende demissão da administração hospitalar

25.01.2008 - 12:52 Por Lusa
O presidente da comissão política concelhia do PS, Raul Martins, defendeu hoje que o conselho de administração do Hospital de Aveiro se deve demitir face aos últimos acontecimentos ocorridos no serviço de urgência. Esta semana foi noticiado o caso de um idoso daquele concelho que morreu - devido a um traumatismo crânio-encefálico - três dias depois de ter sido encontrado no chão das urgências do Hospital de Aveiro, com uma maca em cima.
"Eticamente, a administração devia apresentar a sua demissão ao ministro, que a pode aceitar ou não, deixando-o liberto de eventuais indemnizações para poder agir", disse à Lusa Raul Martins.
No início do mês, uma mulher morreu também na urgência do Hospital de Aveiro antes de ser observada e depois de várias horas de espera.
Sublinhando que "há padrões de comportamento que os gestores públicos devem ter", o líder da concelhia do PS considera que "até podem não ter culpa nenhuma, mas são os primeiros responsáveis e devem dar a cara".
Para Raul Martins, "ou o Hospital de Aveiro anda com muito azar, ou as coisas não estão a correr bem e são muitas as vozes dentro do próprio hospital sobre o mau funcionamento".
A demissão da administração hospitalar é também abordada no blog que Raul Martins mantém, o "Margem Esquerda", em que o líder da concelhia socialista se afirma "profundamente preocupado e até muito indignado" com as recentes notícias sobre o Hospital.
"Não estamos a falar de política ou dinheiro. Estamos a falar de vidas humanas. E essas são sagradas", comenta, salientando que "a urgência do Hospital Infante D. Pedro foi recentemente inaugurada e está materialmente bem equipada, mas contrariamente ao que acontece nalguns hospitais, não é ali permitido o acompanhamento do doente por um familiar e o sistema de informação da situação do doente é muito rudimentar".
No mesmo "post", Raul Martins questiona se o Hospital "não merecerá ser gerido de forma mais eficiente e eficaz" e alude a um crescimento das despesas "que não é acompanhado com um aumento de produtividade ou da qualidade de alguns serviços".
O líder socialista concelhio pergunta ainda "por que é que o Ministro da Saúde que é tão obstinado (e competente) a defender algumas posições (em que acredita mas que, algumas vezes, não acolhem o acordo público) não toma, nesta matéria, uma atitude".

