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Itália

Auxiliar de enfermagem só trabalhou seis dias em nove anos

24.11.2011 - 16:54 Por Luís Francisco

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O Hospital Policlínico Universitário Santa Ursula Malpighi despediu a funcionária em Junho O Hospital Policlínico Universitário Santa Ursula Malpighi despediu a funcionária em Junho (Jorge Silva/arquivo)
Silvia S., uma italiana de 44 anos, acaba de tornar-se campeã mundial de absentismo laboral fraudulento, um desporto ingrato em que só se chega ao topo quando a carreira acaba. Nos últimos nove anos, só trabalhou seis dias. Agora, foi detida, sob as acusações de fraude agravada e falsificação de documentos. Pode vir a ser condenada a um total de sete anos de prisão, adianta a edição online do El Mundo.

A carreira desta auxiliar de enfermagem, empregada de um hospital em Bolonha, é um misto de criatividade e falta de escrúpulos, aliada a uma inacreditável falta de controlo da sua entidade patronal. Quando, em 2002, Silvia foi mãe da sua única filha, tomou a decisão de se dedicar a tempo inteiro ao cuidado da criança. Mas não lhe convinha perder o salário. E assim começou uma longa série de esquemas e fraudes.

Um conveniente diagnóstico de dermatite, alegadamente causada pelo manuseamento de detergentes no seu posto de trabalho, foi o primeiro passo. O seguinte só podia ser mais ambicioso: em 2003, Silvia inventou uma gravidez. De risco, como convinha, devido a umas hemorragias que médico algum conseguiu comprovar, porque ela nunca realizou as análises pedidas e foi trocando de clínico a grande velocidade.

“Deu à luz” em Espanha e forjou todos os documentos necessários para garantir a continuação da baixa e, de caminho, assegurar os benefícios fiscais da maternidade. Como ninguém apareceu a confrontá-la com esta desfaçatez, ela repetiu a dose em 2008, com o seu “terceiro” filho. Imagina-se que, no período intermédio, tenha continuado a sofrer de maleitas incapacitantes, que a mantiveram afastada do trabalho.

Ou seja, a funcionária do Hospital Policlínico Universitário Santa Ursula Malpighi só picou o ponto por seis vezes em quase uma década. Dois dias seguidos (uma estafa, imagina-se…) durante o ano de 2002 e outros quatro, intercalados, no decorrer de 2004. Finalmente, em Junho deste ano, a entidade patronal desconfiou e despediu-a.

Os críticos dizem que este caso é o exemplo máximo dos abusos e fraudes de que o Estado italiano tem sido vítima, por se pôr a jeito, e que isso também explica o crescimento insustentável da dívida pública do país. Por enquanto, Silvia fica em prisão domiciliária. Ou seja, em casa. Ela já está habituada.

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Por cá, neste nosso território à beira mar plantado, multiplicam-se casos como este de fraude ...

Anónimo

26.11.2011 22:03

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