Criança saiu do país à cinco meses

Autoridades russas afastam regresso de Alexandra a Portugal

28.10.2009 - 07:48 Por Paula Torres de Carvalho

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
Foi o Tribunal da Relação de Guimarães que deliberou a entrega de Alexandra à mãe biológica, uma decisão que está a ser analisada pelo Conselho Superior da Magistratura. Foi o Tribunal da Relação de Guimarães que deliberou a entrega de Alexandra à mãe biológica, uma decisão que está a ser analisada pelo Conselho Superior da Magistratura. (Hugo Delgado (arquivo))
Cinco meses depois de ter sido retirada pelo tribunal a uma família que a acolheu aos oito meses em Portugal, Alexandra, de seis anos e de nacionalidade russa, pode entrar já hoje numa instituição de acolhimento de menores na localidade onde agora vive com a mãe, disse ao PÚBLICO o seu pai adoptivo, João Pinheiro.

O agravamento do estado de alcoolismo da mãe, Natália Zarubina, a isso obriga em nome da sua protecção. A situação poderia levar a uma reviravolta da sorte da criança, determinada pelo Tribunal da Relação de Guimarães, que a entregou à mãe biológica que, em Maio passado, decidiu levá-la consigo para a Rússia.

Ontem, contudo, as autoridades da vila de Pretchistoe, a nova terra de Alexandra e da sua família, afastaram publicamente a hipótese do seu regresso a Portugal. "Alexandra é cidadã da Rússia e a nossa tarefa é que ela fique no país", disse Iúri Kudriavtsev, chefe da Comissão para Protecção de Menores do Concelho de Pervomaisk, em declarações à agência russa Ria-Novosti.

Kudriavtsev rejeita a possibilidade de Alexandra voltar para junto do casal português com quem viveu mais de cinco anos. "Ela já se esqueceu dos pais de acolhimento", disse, defendendo que "será melhor" se "for adoptada por uma família russa".

Kudriavtsev revelou ter recebido informações de que o pai da criança, residente em Portugal, assinou, na embaixada russa, a renúncia dos direitos paternais sobre a menina, notando, contudo, que essas informações não foram confirmadas.

O mesmo responsável reconhece a incapacidade das autoridades locais resolverem sozinhas o problema e conta que foram feitos contactos com Moscovo, pedindo a intervenção da Comissão para os Direitos Humanos na Rússia. Em resposta a esses contactos, foi revelado que estava em preparação uma "deslocação" da criança, acrescenta Kudriavtsev, salientando ter sido ainda informado de que a Comissão para os Direitos Humanos deverá visitar a vila em Novembro e "poderá mudar a situação criada na família Zarubina".

Cinco meses depois de ter saído de Portugal, a menina está agora sinalizada como uma criança "em risco". Na sequência do acompanhamento do caso realizado pelos serviços da segurança social russa, o comportamento inadequado de Natália Zarubina foi registado. Iúri Kudriavtsev confirmou que "o comportamento de Natália tem vindo a agravar-se", admitindo que as autoridades começam a "encarar a possibilidade de a privar dos direitos maternais".

As averiguações às circunstâncias em que o juiz do Tribunal da Relação de Guimarães deliberou a entrega da criança à mãe biológica continuam a cargo do Serviço de Inspecção do Conselho Superior da Magistratura, que entendeu realizá-las face ao alarme social que a decisão provocou.

Estatísticas

  • 17 leitores
  • 34 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1407147

Comentário + votado

Título

Eu gostava de saber o que é que vai acontecer com os juizes que deram o aval para a ...

António

28.10.2009 09:15

X

Mais em Sociedade (3 de 27 artigos)

O juiz Carlos Alexandre vai ler hoje a decisão instrutória hoje às 11h00. Franclim Lobo sabe hoje se vai a julgamento por associação criminosa e tráfico de droga