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Alterações na circulação sanguínea

Autópsia diz que feto de Portalegre foi vítima de morte súbita

16.11.2009 - 21:34 Por Natália Faria

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As autoridades de saúde recomendam a vacinação às grávidas As autoridades de saúde recomendam a vacinação às grávidas (Adriano Miranda)
O bebé que morreu no útero da mãe em Portalegre terá sido vitimado por alterações na circulação sanguínea que apontam para mais um caso de morte fetal súbita.

O relatório da autópsia é inconclusivo quanto às causas que provocaram as alterações, conhecidas como anoxia aguda, em conferência de imprensa, os responsáveis do Hospital de Portalegre adiantaram que “foram colhidos tecidos fetais e da placenta para [realizar] exames que poderão vir a contribuir para o esclarecimento da causa da anoxia”.

Muito antes de ser conhecido o resultado da autópsia, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) apressou-se a descartar qualquer nexo de causalidade entre a morte daquele bebé e a vacina contra a gripe A. A DGS lembrou a propósito que, em 2008, houve 263 mortes fetais.

Carla Caeiro, grávida de 34 semanas, perdeu a bebé três dias depois de se ter vacinado contra a gripe A. “Ela tomou a vacina na quarta-feira e começou a sentir-se mal logo no dia seguinte”, contou o cunhado, João Romacho. No sábado de manhã, Carla recorreu ao Centro de Saúde de Portalegre onde a médica assistente constatou que o batimento cardíaco do feto era baixo. “Não percebo como é que, mesmo assim, a mandaram para casa”, indigna-se Romacho, recordando que a morte da bebé seria confirmada pouco depois no Hospital de Portalegre.

Carla Caeiro teve ontem à tarde alta do hospital, onde recebeu – e deverá continuar a receber - apoio psicológico. Apesar de não ter conhecimento do resultado da autópsia à hora a que falou com o PÚBLICO, o cunhado mantém que a morte pode estar relacionada com a vacina contra o H1N1. “O que é facto é que depois da vacina houve uma série de reacções adversas e é difícil acreditar que não haja aqui relação nenhuma”, sustentou.

Carla Caeiro estava a ser medicada por causa de uma depressão e a família quer também ver esclarecido se os médicos equacionaram ou não uma eventual interacção do medicamento com a vacina. Por outro lado, “já tinham sido detectados batimentos cardíacos acelerados no bebé e a família também quer saber se a médica fez tudo o que estava ao seu alcance para que a gravidez pudesse ser levada até ao fim”, acrescentou Romacho, confirmando que Carla já tinha tido um aborto espontâneo numa gravidez anterior mas, dessa vez, antes de alcançar os três meses.

Sem relação causa-efeito

Recusando comentar o caso, o director-geral de saúde, Francisco George, sustentou que “o mais provável é que se tenha tratado de uma morte súbita no útero”. Em Portugal, registaram-se o ano passado 263 mortes fetais a partir das 28 semanas. No ano anterior, tinham sido 287 óbitos. Em 2006, 344. “Há quase um caso por dia o que nos leva a admitir como pouco provável que esta morte tenha tido alguma relação com a vacina”, insistiu George, para recomendar: “As grávidas devem continuar a vacinar-se”.

Luís Graça, do Serviço de Ginecologia do Hospital de Santa Maria, também nega qualquer nexo de causalidade entre a vacina e aquela morte fetal. “É uma associação meramente circunstancial. A vacina não protege da morte súbita como não protege de uma apendicite”.

O facto de a autópsia se ter revelado inconclusiva poderá corroborar a tese da morte súbita, até porque esta “costuma ocorrer em situações em que não são detectadas quaisquer anomalias”, segundo Graça.

Daniel Pereira da Silva, da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, tambem considera que as grávidas de 2.º e 3.º trimestre devem continuar a vacinar-se. “A gripe leva a situações que, numa grávida, provocam taquicardia, que, dependendo das circunstâncias, é perigosa para o feto”, lembra, sublinhando que a vacinação tem a vantagem adicional de ajudar a imunizar o bebé nos primeiros meses de vida. “Há passagem de anticorpos para o bebé através da placenta e esse é um aspecto que não deve ser negligenciado”.

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Peço a todos que ouçam atentamente esta senhora...

Com uma bem estruturada e compreensível oratória, Teresa Forcades, freira beneditina catalã, ...

Sem Papas na Língua

17.11.2009 11:17

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