Os autarcas de Benavente, Coruche e Salvaterra de Magos contestaram junto do Ministério da Saúde a concentração do serviço de urgências no sul do distrito de Santarém numa unidade a construir no Biscainho.
A proposta governamental está inscrita no estudo para a criação de uma rede de serviços de urgências do Ministério da Saúde, mas as autarquias reclamam a manutenção do modelo de atendimento existente.
"Não queremos mudar para pior, já basta assim como está", afirmou hoje o presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão, que esteve reunido na sexta-feira com a secretária de Estado da Saúde para debater o problema, acompanhado pelos autarcas vizinhos de Salvaterra de Magos e Coruche.
"Expusemos à senhora secretária de Estado a nossa preocupação sobre a proposta de uma unidade básica de Urgência em Biscainho", que segue uma ideia "já apresentada pela sub-região de Saúde de Santarém" em 2000, mas que também foi rejeitada pelos municípios.
Em contrapartida, os autarcas defendem a manutenção dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) já existentes em Coruche e Benavente, considerando que o seu encerramento "causará constrangimentos à população" (perto de 70 mil habitantes), mas também ao Serviço Nacional de Saúde.
"Os utentes de Benavente terão de se deslocar para a urgência médico-cirugica de Vila Franca", enquanto os de Coruche terão de ir para Santarém, o que irá "contribuir para o seu entupimento", exemplificou António José Ganhão.
"Teremos a falsa urgência, que já existe no SAP, transferida paras as Urgências dos hospitais", considerou ainda o autarca, que critica a escolha da localidade de Biscainho, no concelho de Coruche, para receber um serviço básico de urgências.
Se é certo que as sedes de concelho da zona distam cerca de 20 quilómetros do Biscainho, só o aglomerado de "Samora Correia (Benavente) está a 27 quilómetros", o mesmo sucedendo com outros locais populosos dos municípios vizinhos, explicou António José Ganhão.
Após a reunião com a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli, os autarcas comprometeram-se a enviar por escrito os motivos da sua oposição à proposta que está a ser estudada pela tutela.


