Autarca de Paredes diz que Quercus é "coerente" em processar o Estado sobre Ikea

20.04.2007 - 16:31 Por Lusa
O presidente da Câmara de Paredes, Celso Ferreira, considerou hoje "coerente" que a associação ambientalista Quercus processe judicialmente o Estado português na sequência da instalação da Ikea em antigos terrenos de Reserva Ecológica Nacional (REN), em Paços de Ferreira.
"Não me estranha essa posição [da Quercus] porque corresponde ao que afirmou há meio ano", disse Celso Ferreira à Lusa, sobre a intenção da organização em processar o Estado por o Governo ter excluído da REN local os terrenos onde será instalada uma nova unidade do grupo sueco de mobiliário.
Na mesma altura, foi parcialmente suspenso o Plano Director Municipal (PDM) daquele concelho.
O município de Paredes, que, a par do de Estarreja, perdeu para Paços de Ferreira a corrida para a construção da fábrica da Ikea, foi quem primeiro alertou para os alegados impactes ambientais da instalação da unidade no local previsto.
A suspensão do PDM e a alteração dos limites da REN motivaram também, desde logo, fortes protestos das associações ambientalistas, tendo hoje a Quercus vindo confirmar que está a preparar uma acção judicial contra o Estado português por entender que violou "os critérios definidos na legislação da REN".
Primeira pedra lançada amanhã
Afirmando manter "tudo o que disse há meio ano" contra a instalação da fábrica no local escolhido, Celso Ferreira considerou que esta tomada de posição da associação ambientalista é um "passo normal" e que a Quercus "é a única entidade com legitimidade para dar um passo desta natureza", sustentou o autarca à Lusa.
Quanto ao município de Paredes, disse Celso Ferreira, "o que tinha a fazer já fez".
"Daí para cá, o assunto desapareceu da nossa agenda política", garantiu, avançando como prova de que a questão foi já superada por Paredes a sua presença, amanhã, "com todo o sentido de Estado", na cerimónia de lançamento da primeira pedra da fábrica da Ikea em Paços de Ferreira.
Também amanhã, em cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, as câmaras de Paredes e Paços de Ferreira, as respectivas associações empresariais, a Associação Portuguesa das Indústrias do Mobiliário e Afins (APIMA), o IAPMEI e o Ministério da Economia vão assinar um memorando de entendimento relativo à criação na região da Academia Internacional do Mobiliário.
O presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Pedro Pinto, não quis hoje comentar a posição da Quercus, mas desde o início da polémica vem negando que o terreno da nova fábrica figure em qualquer área de produção florestal ordenada.
"É falso que a localização proposta represente uma 'extensa zona florestal de pinhal e eucaliptal' [como diz a Quercus], porquanto os mesmos são em reduzidíssimo número e provenientes de germinação espontânea", esclareceu, em Outubro passado, a autarquia pacense em comunicado.

