Áustria: testes de ADN provam que seis crianças são fruto de relação incestuosa

29.04.2008 - 18:23 Por AFP, Reuters
Os seis filhos de Elisabeth Fritzl, a mulher que durante 24 anos foi mantida sob sequestro e foi vítima de violação pelo próprio pai numa casa em Amstetten, uma pequena cidade na Áustria, são fruto da relação incestuosa que foi recentemente tornada pública, anunciou hoje a polícia, citando os resultados de testes de ADN.
“Recolhemos e analisámos todos os traços pessoais, todo o ADN dos membros da família Fritzl. O resultado, que conhecemos há poucas horas, revela que as seis crianças, que infelizmente Elisabeth Fritzl deu à luz na cave, foram indubitavelmente gerados pelo seu próprio pai”, Joseph Fritzl, um engenheiro reformado de 73 anos, revelou Franz Polzer, responsável pela unidade de investigação criminal da província da Baixa Áustria, em conferência de imprensa.
A polícia continuou durante o dia de hoje as investigações na cave da residência da família Fritzl para apurar se Josef poderá ter tido cúmplices. As autoridades tentam ainda apurar como ocorreram os nascimentos e se houve algum tipo de ajuda vinda do exterior. Para já, todas as informações recolhidas pela polícia indicam que os partos de Elisabeth, agora com 42 anos, terão sido assistidos apenas pelo seu pai, sublinhando o chefe da equipa de investigação que “não há nenhuma indicação” de que a mulher de Josef e mãe da vítima, Rosemarie, tenha sido cúmplice neste caso.
Durante 24 anos, Joseph Fritzl manteve a filha Elisabeth fechada num anexo situado na cave da casa da família, em Amstetten, a 130 quilómetros de Viena. A cave agora revelada é composta por várias salas, entre elas uma casa de banho, um espaço para preparar refeições e para dormir e uma cela acolchoada, cuja finalidade é desconhecida. Ao anexo só se acede através de uma porta electrónica de betão - dissimulada, numa adega, atrás de prateleiras - que apenas abre com a introdução de um código.
Ao longo dos 24 anos, Fritzl violou Elisabeth, que acabou por ficar grávida sete vezes. Um dos bebés morreu com poucos dias de vida e o seu corpo terá sido queimado por Fritzl. Das restantes crianças, três viveram com a mãe no anexo e as outras três foram criadas por Fritzl e a mulher, que cuidou dos menores acreditando que a sua filha não tinha condições para o fazer.
Fritzl terá contado à mulher que Elisabeth fugiu de casa e que através de uma carta manifestava o desejo de que não fosse procurada. O caso foi reportado à polícia, que após investigações que se revelaram infrutíferas partiu do pressuposto que a jovem ter-se-ia juntado a uma seita. Rosemarie terá acreditado em toda a história.
Fritzl encontra-se agora em prisão preventiva, enquanto Elisabeth, cinco dos seus seis filhos (actualmente com idades entre os onze e 20 anos) e Rosemarie estão aos cuidados da clínica de Amstetten-Mauer. Segundo Berthold Kepplinger, director da unidade que recebe a família, todos estão apesar de tudo num “estado psíquico bom e continuam a ser submetidos a exames”, sendo acompanhados por uma vasta equipa de médicos, psiquiatras e terapeutas.
Apenas a filha de 19 anos de Elisabeth, Kerstin, continua hospitalizada no hospital local, onde deu entrada no passado dia 19 em estado crítico. A jovem está em coma artificial e com um prognóstico reservado.
Foi a sua hospitalização que levou à revelação deste caso, quando os médicos pediram a presença da mãe da jovem, por necessitarem de informações sobre a história clínica de Kerstin.

